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Trânsito

Um terço das vítimas de acidente no RN chega ao hospital sem nenhum equipamento de proteção

Relatório do LAIS/UFRN que embasa o cálculo de gastos da rede estadual mostra que 34,02% dos atendidos não usavam qualquer EPI e que o capacete só foi confirmado em cerca de metade dos casos; Walfredo Gurgel concentra 56% dos atendimentos
Agora RN
21/08/2026 | 16:36

Entre as vítimas de acidente de trânsito atendidas na rede hospitalar do Rio Grande do Norte, 34,02% deram entrada sem nenhum equipamento de proteção individual. O uso de capacete foi confirmado em pouco mais da metade dos atendimentos. Os percentuais estão no relatório “O impacto hospitalar e financeiro dos acidentes de trânsito no RN (2025-2026)”, produzido pelo Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da UFRN, o LAIS, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde Pública.

É o mesmo levantamento que sustenta o cálculo de cerca de R$ 60 milhões em impacto sobre os gastos da rede estadual de saúde em 2025. Os dois números, porém, medem coisas diferentes e convém não confundi-los: os R$ 60 milhões representam o impacto estimado sobre a rede estadual, enquanto os procedimentos efetivamente faturados ao Sistema Único de Saúde no período analisado somam pouco mais de R$ 6 milhões.

Motocicleta danificada caída sobre o asfalto em rodovia do Rio Grande do Norte após acidente de trânsito
Motocicleta danificada caída sobre a pista após acidente; motociclistas formam o grupo mais atingido nos atendimentos hospitalares por acidente de trânsito no Rio Grande do Norte — Foto: Acervo Agora RN

O estudo também mostra onde a pressão se concentra. O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, responde por 56% dos casos, e o Tarcísio Maia, em Mossoró, por 33% — dois hospitais absorvem quase nove em cada dez atendimentos. O perfil predominante das vítimas em motocicleta é de homens entre 20 e 39 anos. Entre pedestres atropelados, o grupo mais atingido é o de idosos acima de 70 anos, e é justamente ele que gera a maior pressão sobre as UTIs, segundo os autores.

O relatório é assinado por Ricardo Valentim, Fernando Lucas, Nicolas Veras, Gleyson Caldeira, Leticia Ainoan, Lemyson Lemos, Raul Almeida e Antonio de Oliveira, e foi divulgado pelo LAIS em 4 de agosto. Considerando o intervalo mais amplo analisado, entre maio de 2025 e julho de 2026, a rede hospitalar potiguar registrou mais de 22 mil atendimentos por acidentes de trânsito — média superior a 50 por dia.

As motocicletas concentram a maior parte das ocorrências. O dado dialoga com levantamentos anteriores publicados pelo Agora RN, que já havia mostrado que o Estado enfrenta gargalos estruturais e que os acidentes de moto sobrecarregam de forma desproporcional as unidades de urgência.

O secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, aponta os acidentes com motocicletas como o ponto de maior preocupação. Os números do impacto financeiro e do volume de atendimentos foram apresentados por O Correio de Hoje na edição desta sexta-feira 21.

O que o relatório acrescenta ao debate é menos o custo e mais a causa evitável: se um terço das vítimas chega sem qualquer proteção e o capacete aparece em apenas metade dos registros, parte relevante da conta hospitalar do Estado tem origem numa falha de prevenção que independe de investimento em leito ou em UTI.