O Move Brasil liberou até agora 11,3% dos R$ 30 bilhões disponíveis para financiar a compra de carros por motoristas de aplicativo e taxistas. A adesão baixa, sobretudo entre bancos privados, levou a equipe econômica a estudar mudanças no fundo garantidor e na forma de comprovação de renda dos motoristas.
O dado incomoda porque o desenho do programa já prevê uma proteção considerável para quem empresta. A Medida Provisória 1.362, publicada em 26 de maio de 2026, abriu crédito extraordinário de R$ 30 bilhões e incluiu taxistas e motoristas de aplicativo entre os públicos elegíveis ao Programa Emergencial de Acesso a Crédito do Fundo Garantidor para Investimentos, o FGI-PEAC, mecanismo operado pelo BNDES que cobre até 80% do risco de crédito da operação.

Ou seja: mesmo com quatro quintos do risco cobertos por fundo público, o crédito não saiu no ritmo esperado. É esse descompasso que a Fazenda tenta agora destravar, avaliando alterações legais.
As condições do programa ajudam a entender onde está o gargalo. Podem acessar a linha motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e com no mínimo 100 corridas realizadas no período na mesma plataforma, além de taxistas registrados e em atividade. Os veículos precisam custar até R$ 150 mil e sair de montadoras habilitadas no Programa Mover, restrito a modelos considerados sustentáveis — elétricos, híbridos, a etanol ou flex. As taxas e os prazos ficam a cargo do Conselho Monetário Nacional, que pode conceder condições especiais a mulheres, com juros menores e prazos maiores.
A exigência de vínculo de 12 meses com uma única plataforma e a comprovação de renda de uma categoria que trabalha por aplicativo, sem contracheque, estão entre os pontos que a equipe econômica avalia rever. Motoristas têm reclamado de exigências consideradas exageradas para conseguir o financiamento.
A medida provisória está em vigor e o Congresso Nacional tem até 120 dias para apreciá-la. O balanço da baixa adesão e a revisão em estudo foram publicados por O Correio de Hoje na edição desta sexta-feira 21.
Se a revisão não vier antes do fim do prazo de tramitação, o programa corre o risco de chegar ao debate no Congresso com um histórico de execução baixa — argumento que costuma pesar contra a renovação de linhas de crédito subsidiadas.