Há poucas coisas capazes de unir um país tão dividido quanto a comida que chega diariamente à mesa de milhões de famílias. Ninguém escolhe um alimento pela posição política de quem o produziu. Quem planta, cria, colhe e produz trabalha para sustentar sua família, fazer seu negócio prosperar e gerar riqueza. Como consequência, movimenta a economia, gera empregos e garante o abastecimento do país. Por isso, fortalecer a agropecuária deve ser uma política de Estado: permanente, previsível e protegida das disputas políticas de cada momento. Afinal, comida não tem partido.
O agronegócio é uma das principais locomotivas da economia brasileira. Gera emprego, renda, alimentos, energia, tecnologia e divisas. Sustenta cadeias produtivas que vão do pequeno agricultor ao grande exportador e mantém o Brasil entre os maiores produtores de alimentos do mundo. Sua importância não aumenta nem diminui quando muda o governo. Por isso, políticas públicas voltadas ao setor também não deveriam oscilar conforme o calendário eleitoral ou o ambiente político. Crédito rural, pesquisa agropecuária, defesa sanitária, infraestrutura logística e segurança hídrica produzem resultados ao longo de muitos anos. São políticas que precisam atravessar governos, porque respondem a desafios permanentes do país.

É justamente nos momentos de maior instabilidade que se percebe a diferença entre políticas de Estado e políticas de governo. As recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, assim como a elevação das tarifas sobre a carne exportada para a China após a superação da cota estabelecida, mostram como o cenário internacional pode mudar rapidamente. Diante de situações como essa, o produtor rural precisa encontrar um Estado preparado para defender os interesses nacionais, abrir mercados, fortalecer a competitividade e oferecer segurança para quem produz. A produção de alimentos é estratégica demais para ficar subordinada às disputas políticas de cada conjuntura.
No Rio Grande do Norte, esse debate deixa de ser abstrato. O produtor convive diariamente com estiagens prolongadas, infraestrutura insuficiente, custos elevados e oscilações de mercado. Ainda assim, continua investindo, inovando e sustentando a economia de centenas de municípios. É por isso que crédito rural, assistência técnica, investimentos em estradas, segurança hídrica e defesa agropecuária não podem depender da alternância de governos. Precisam ser compromissos permanentes do Estado brasileiro.
O produtor rural não pede tratamento privilegiado. Pede apenas que a produção de alimentos seja reconhecida como uma atividade estratégica para o país e tratada com a estabilidade que ela exige. Governos mudam. Partidos se alternam. Eleições começam e terminam. Mas todos os dias os brasileiros continuam se sentando à mesa. E, enquanto houver alimento chegando a essa mesa, haverá uma certeza que precisa unir o país acima de qualquer divergência: comida não tem partido.