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José Vieira

Saúde também se cultiva no campo

Confira o artigo de José Vieira desta sexta-feira 8
José Vieira
08/05/2026 | 05:10

Para muitos produtores rurais, cuidar da saúde sempre significou enfrentar longas distâncias, perder um dia de trabalho e, muitas vezes, adiar consultas e acompanhamentos importantes. No campo, onde a rotina é intensa e o tempo raramente sobra, a saúde acaba ficando para depois. É justamente para mudar essa realidade que o Sistema Faern/Senar trouxe ao Rio Grande do Norte o programa Saúde no Campo.

A iniciativa, implantada em 2025 pelo Senar Nacional em alguns estados brasileiros, leva mensalmente equipes de enfermagem diretamente às propriedades rurais, oferecendo atendimento básico, acompanhamento clínico, orientações preventivas e ações de educação em saúde. É um serviço gratuito que chega até o produtor, respeitando sua rotina e compreendendo as particularidades da vida no meio rural.

Assembleia Potiguar do Clima será realizada em Ipanguaçu com meta de plantar 5 milhões de mudas - foto: Freepik
Saúde também se cultiva no campo - Foto: Freepik

Em seu primeiro ano no RN, o programa foi implantado em Mossoró, Serra do Mel, Tenente Laurentino Cruz, São Vicente e Florânia. Segundo o relatório de atividades do Senar RN, já foram realizadas 2.194 visitas domiciliares, com 1.047 pessoas atendidas em 388 propriedades acompanhadas mensalmente. Mais do que números, esses dados representam famílias que passaram a ter acesso regular a cuidados básicos de saúde sem precisar sair do campo.

Em muitas comunidades rurais, o acesso à saúde ainda depende de longos deslocamentos, transporte irregular e da disponibilidade limitada de atendimento especializado. Isso faz com que exames preventivos, acompanhamentos simples e orientações básicas acabem sendo adiados. Ao levar atendimento diretamente às propriedades, o programa aproxima o cuidado da rotina das famílias rurais e contribui para a prevenção antes que problemas maiores se instalem.

As equipes, formadas por profissionais de enfermagem capacitados pelo Senar, realizam aferições, triagens, orientações sobre autocuidado e identificação precoce de riscos à saúde. Em muitos casos, o atendimento é complementado pelo sistema de telessaúde, que oferece acesso remoto a consultas médicas e acompanhamento psicológico 24 horas por dia. Tecnologia e presença humana atuando juntas para reduzir distâncias e ampliar o cuidado.

O impacto vai além da saúde individual. Um produtor saudável trabalha com mais segurança, toma decisões com mais clareza e enfrenta melhor os desafios da atividade rural. Uma família acompanhada vive com mais tranquilidade. E propriedades mais estáveis e organizadas também se tornam mais produtivas e resilientes.

O programa Saúde no Campo representa algo maior: o reconhecimento de que quem produz alimentos para o país também precisa ser cuidado. Em um estado marcado por longas distâncias e dificuldades de acesso a serviços, levar saúde até a propriedade rural é levar dignidade, prevenção e qualidade de vida. O agro potiguar é feito de pessoas. E nenhum projeto de desenvolvimento rural será verdadeiramente forte se não colocar essas pessoas no centro das prioridades.