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Política Internacional

Milei amplia ataques a Lula e acusa petista de mobilizar ‘fake news’ na Argentina

Presidente argentino compartilhou publicações contra o chefe do Executivo brasileiro e fez novos ataques após participação em evento do PL; governo brasileiro reagiu oficialmente
Por O Correio de Hoje
28/07/2026 | 14:39

O presidente da Argentina, Javier Milei, ampliou nesta segunda-feira (28) os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao compartilhar, na rede social X, uma série de publicações críticas ao brasileiro. Em uma delas, o autor afirma estar com “nojo de todos os idiotas e hipócritas que pediram desculpas” a Lula.

As postagens reproduzidas por Milei foram publicadas por perfis argentinos e abordam episódios políticos envolvendo os dois presidentes. Uma delas acusa Lula de ter colocado uma “equipe especializada em fake news” à disposição da campanha de Sergio Massa na eleição argentina de 2023, vencida pelo atual chefe do Executivo.

Milei e Flávio 2
Presidente argentino durante a convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro - Foto: PL / Divulgação

Outra publicação recupera a visita feita por Lula, em julho do ano passado, à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, adversária política de Milei que cumpre prisão domiciliar após ser condenada por corrupção.

“Lula é um ex-presidiário e, quando veio à Argentina, visitou sua aliada condenada. Ele é o fundador do Foro de São Paulo e mantém Bolsonaro inelgível”, diz o texto compartilhado pelo argentino.

Milei também repostou uma mensagem que acusa Lula de praticar as mesmas condutas que costuma criticar.

“Estou enojado com todos os idiotas e hipócritas que vieram se desculpar com Lula”, afirma a publicação.

Questionado nesta segunda-feira sobre a presença e o comportamento de Milei no Brasil, Lula evitou comentar diretamente a crise diplomática. Enquanto aguardava a chegada do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-Myung, para uma recepção no Itamaraty, respondeu com ironia:

“Eu? Quem é esse cara?”

Crise diplomática

A tensão aumentou depois que Milei participou, no sábado, da convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. No evento, o argentino atacou Lula, chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes de “lixo careca” e associou os problemas econômicos enfrentados por seu país ao socialismo.

Milei também criticou o Foro de São Paulo, definido por ele como uma organização “criada por Lula da Silva e Fidel Castro, uma rede internacional chave para a disseminação do comunismo no continente”.

Ao declarar apoio a Flávio, afirmou:

“O que quero dizer é que o Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas deste modelo, mas pode vivê-las se não der uma volta de rumo. Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar o socialismo.”

As declarações provocaram uma reação formal do governo brasileiro. Na noite de domingo (27), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, recebeu o embaixador argentino Daniel Raimondi e manifestou a insatisfação do Brasil com os ataques dirigidos a Lula, ao STF e a Alexandre de Moraes.

Em nota, o Itamaraty classificou o episódio como inédito e lamentou que as ofensas tenham partido do presidente de um país que mantém relações diplomáticas com o Brasil há 203 anos e tem no mercado brasileiro seu principal parceiro comercial.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, declarou o Ministério das Relações Exteriores.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também reagiu e chamou Milei de “palhaço”. Em entrevista à Rádio Jornal, comparou os indicadores econômicos dos dois países e afirmou que a Argentina apresenta situação pior.

“O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil quando o risco país Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais e a inflação muito mais alta. Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar apocalíptico”, disse Durigan.