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Política

Partido Novo lança Romeu Zema à Presidência sem vice definido

Ex-governador de Minas Gerais inicia campanha presidencial sem alianças partidárias e negocia com o Democracia Cristã a possível indicação de Joaquim Barbosa para compor a chapa
Por O Correio de Hoje
28/07/2026 | 14:35

O Novo oficializou, nesta segunda-feira (27), a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República, ainda sem definir quem ocupará a vaga de vice. A convenção foi restrita a integrantes da própria legenda, sem a presença de representantes de outros partidos, e evidenciou as dificuldades enfrentadas até agora para a formação de alianças eleitorais.

Zema negociava com o Podemos a indicação de um nome para a vice, mas as conversas não avançaram. O partido tenta agora construir um acordo com o Democracia Cristã para incluir na chapa o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa.

Coletiva Novo
Candidato à Presidência Romeu Zema com o presidente nacional do Partido Novo, Eduardo Ribeiro, durante convenção - Foto: Novo / Reprodução

Durante o evento, o candidato afirmou que a escolha permanece em aberto e admitiu até mesmo a possibilidade de uma chapa pura, formada exclusivamente por filiados ao Novo.

No primeiro discurso após a oficialização da candidatura, Zema concentrou os ataques no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no PT, sem fazer referências diretas ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro.

“Minha bandeira é estar contra o PT. Eu vi o PT destruir o Brasil”, declarou.

O ex-governador também relacionou casos de corrupção do passado a episódios recentes associados ao governo federal.

“Ninguém aguenta mais quatro anos de Lula e de PT, ninguém. No passado foi mensalão, petrolão, mala de dinheiro, Lava Jato e agora nós estamos com Banco Master e desconto dos velhinhos”, afirmou.

Zema voltou ainda a defender a concessão de indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso depois de ser condenado por liderar uma trama golpista. Segundo ele, a medida seria adotada caso vença a eleição para o Palácio do Planalto.

Outro eixo do discurso foi o funcionamento do STF. Zema criticou diretamente os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e defendeu mudanças nas regras de composição e atuação da Corte.

“Eu quero que o Brasil acabe com essa farra dos intocáveis, nenhum outro pré-candidato tem criticado tanto essa farra quanto eu. Inclusive estou respondendo com muito orgulho um processo do excelentíssimo senhor ministro Gilmar Mendes”, disse.

Em seguida, acrescentou:

“Mas eu quero frisar aqui que quem andou no jatinho do banqueiro bandido foram os colegas dele, não fui eu. Quem conseguiu contrato de R$ 129 milhões com uma esposa foi o colega dele, quem fez uma transação no Tayayá foi outro colega dele.”

Entre as propostas apresentadas para o Supremo, estão a elevação da idade mínima dos indicados de 35 para 60 anos, a adoção de uma lista tríplice a ser submetida ao presidente da República e o fim das decisões monocráticas, tomadas individualmente pelos ministros. O candidato também se declarou favorável à votação, pelo Senado, de pedidos de impeachment contra integrantes da Corte.

Na área da segurança pública, Zema propôs classificar organizações e facções criminosas como grupos terroristas e construir uma unidade prisional de segurança máxima em uma região isolada.

“Vou enquadrar todas as organizações e facções criminosas como terroristas. Vamos construir um super presídio, de preferência em lugar remoto no meio da Amazônia para onde todo esses líderes vão ser encaminhados e vão mofar por pelo menos 25 anos”, declarou.

A convenção reuniu as principais lideranças do Novo, entre elas o presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro; o senador Eduardo Girão, do Ceará; o deputado federal Marcel Van Hattem; e o ex-procurador Deltan Dallagnol, pré-candidato ao Senado pelo Paraná.

Primeiro a discursar, Eduardo Ribeiro afirmou que o principal legado de Zema em Minas Gerais foi impedir o retorno do PT ao governo estadual depois de derrotar, em 2018, o então governador Fernando Pimentel.

Para o dirigente, o ex-governador seria o nome mais preparado da direita para enfrentar Lula.

“Não deixou o PT voltar. É o melhor legado que Zema talvez tenha deixado em Minas Gerais. E o que vamos buscar mostrar é que uma boa gestão enterra o PT. Nós enterramos o PT em Minas Gerais e vamos enterrar no Brasil”, afirmou Ribeiro.

Campanha busca ampliar conhecimento

Depois de meses dedicados à tentativa de formar alianças e à aproximação com empresários, produtores rurais e lideranças evangélicas, a campanha espera que o início oficial da disputa aumente o grau de conhecimento de Zema entre os eleitores.

A avaliação interna é que o ex-governador ainda possui menor projeção nacional do que Lula e Flávio Bolsonaro.

A aposta está no horário eleitoral gratuito, nos debates e na maior exposição pública para apresentar sua trajetória administrativa. Até agora, entretanto, as pesquisas não apontam uma candidatura competitiva.

No levantamento mais recente do Datafolha, Zema registrou 3% das intenções de voto, empatado com Renan Santos, do Missão, e numericamente um ponto atrás do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência. Os três ficaram distantes de Lula, com 40%, e Flávio Bolsonaro, com 32%, na simulação de primeiro turno.

Mesmo diante desse cenário, aliados procuram posicionar Zema como uma alternativa de direita ao bolsonarismo. A campanha considera que as sucessivas crises envolvendo Flávio abriram espaço para outros candidatos disputarem parcelas do eleitorado anteriormente concentradas em torno do PL.

Nas últimas semanas, Zema ampliou a agenda com o agronegócio, participando de eventos e de reuniões reservadas com produtores e empresários. A candidatura também tenta fortalecer os contatos com lideranças do segmento evangélico.

O ex-governador vinha alternando críticas duras a Flávio Bolsonaro com períodos de menor confronto. Nos últimos dias, evitou ataques públicos e aproximou seu discurso do adotado pelo candidato do PL em temas como o tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, atribuindo responsabilidade ao governo Lula.

Em maio, porém, Zema esteve entre os críticos mais contundentes de Flávio durante a crise envolvendo o filme Dark Horse e a relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.

Agora, a estratégia do Novo é priorizar a experiência administrativa do candidato em Minas Gerais e suas propostas para economia, gestão pública, segurança e educação, na tentativa de consolidá-lo como uma opção dentro do campo da direita.