A candidata ao Senado Samanda Alves, presidente estadual do PT, afirmou que o partido estará unido nas eleições deste ano, incluindo o apoio à candidatura de Rafael Motta (PDT) para a segunda vaga ao Senado. Segundo ela, a definição foi tomada pela maioria da direção estadual e passou a orientar oficialmente a atuação da legenda.
De acordo com a candidata, as diferentes posições manifestadas durante o processo de construção da chapa estão superadas.

O apoio à candidatura de Rafael Motta foi aprovado com 27 votos favoráveis e nenhum contrário. Samanda contestou a interpretação de que a proposta teria vencido por uma margem de apenas dois votos e ressaltou que as abstenções registradas na reunião não podem ser contabilizadas como manifestações contrárias.
“Quando tem abstenção, a abstenção não conta. Não teve nenhum voto contrário. Foram 27 votos favoráveis. A maioria da direção do partido aprovou o apoio dele, a chegada dele à nossa chapa”, afirmou.
A definição ocorreu durante o encontro de tática eleitoral realizado pelo PT na última sexta-feira (24), véspera da convenção que oficializou as candidaturas e alianças da legenda.
Samanda explicou que a decisão foi tomada a partir da estratégia construída para as eleições e não envolveu questões pessoais relacionadas a Rafael.
“É uma discussão política, não é uma discussão pessoal. É política, olhando para a frente, de tática eleitoral”, declarou.
Segundo a dirigente, a finalidade do encontro era estabelecer a posição partidária para a disputa e definir a composição que será apresentada ao eleitorado.
“O nosso encontro, que define os encaminhamentos para as eleições, chama-se encontro de tática eleitoral. É a nossa tática para as eleições, com olhar para o futuro”, explicou.
Samanda afirmou que o resultado da reunião foi incorporado pelo conjunto do partido e que a unidade já estava demonstrada na convenção realizada no dia seguinte, no Ginásio do DED, em Candelária, na Zona Sul de Natal.
“A partir do momento que a gente decide, o partido caminha em unidade. Nós fizemos nosso encontro na sexta-feira. Houve uma decisão majoritária e, na convenção, no outro dia, o partido já estava com unidade para tocar o que foi decidido”, disse.
Com a decisão, o PT seguirá para a campanha com Samanda como candidata própria ao Senado e apoiará Rafael Motta na disputa pela outra vaga. A presidente estadual assegurou que o posicionamento aprovado pela maioria será defendido pelo partido durante o processo eleitoral.
“O partido continua com unidade na ação a partir do momento que decide”, concluiu.
Divergências internas
O apoio a Rafael Motta teve oposição de grupos internos do PT. Um deles foi a corrente “Articulação de Esquerda”, liderada no Estado pela deputada federal Natália Bonavides, que enfrentou Rafael na disputa pela Prefeitura de Natal em 2024.
Nos bastidores, a avaliação é de que os dois poderão se enfrentar novamente no pleito municipal de 2028.
Em julho, durante as discussões internas, a ala de Natália redigiu uma nota na qual defendia que, em vez de Rafael Motta, o PT apoiasse para a segunda vaga do Senado um nome indicado pelo Psol — no caso, o ex-deputado estadual Sandro Pimentel.
Segundo a “Articulação de Esquerda”, a composição ampliaria a unidade da esquerda e permitiria ao eleitor votar nos dois candidatos ao Senado identificados com o mesmo projeto político.
Internamente, o nome de Rafael Motta tem rejeição em correntes do PT principalmente por dois motivos: o fato de ele ter votado a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016, quando era deputado federal, e a candidatura dele ao Senado em 2022, que dividiu votos de esquerda e favoreceu a eleição do senador Rogério Marinho (PL).
Naquela eleição, o PT apoiava o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo.