O ex-vice-governador Fábio Dantas, uma das lideranças da Federação PSDB-Cidadania no Rio Grande do Norte, afirmou que nenhum dos três principais candidatos ao Governo do Estado está preparado para enfrentar os problemas administrativos e financeiros que encontrará a partir de 2027.
Apesar de reconhecer qualidades em Allyson Bezerra (União), Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT), ele avaliou que a pré-campanha ainda não apresentou propostas capazes de responder à situação fiscal do Estado. Para ele, nenhum candidato demonstrou disposição para adotar as medidas impopulares que considera indispensáveis ao próximo governo.

“Eu tenho certeza de que Allyson está preparado para vencer a eleição, que Álvaro está preparado para vencer a eleição e que Cadu está preparado para vencer a eleição. Mas nenhum está preparado para governar o Estado. Nenhum dos três”, afirmou Fábio, em entrevista nesta terça-feira (28) ao podcast Eleições 2026, da TV Agora RN, disponível no YouTube.
Segundo o tucano, os principais candidatos ao governo “têm virtudes”, mas ainda não demonstraram preparo para atravessar o que chamou de “deserto” administrativo e financeiro que o RN enfrentará nos próximos quatro anos.
“O tempo não se recupera, não se traz, não se volta. A gente perdeu alguns anos com os governos errando na política pública de gestão.”
Fábio ressaltou que sua crítica não se limita à atual administração e citou dificuldades observadas desde governos anteriores, com perda progressiva da capacidade de realizar investimentos e assegurar o funcionamento adequado dos serviços públicos.
O dirigente tucano projetou um cenário especialmente difícil para quem assumir o Executivo estadual e advertiu que os ajustes necessários não produzirão resultados completos dentro de apenas um mandato.
“Dificilmente o governo vai ser bom, porque as políticas públicas necessárias para conter o descontrole das contas públicas não levam quatro anos, levam muito mais do que isso.”
Ele disse torcer para que o próximo governador tenha êxito, independentemente do resultado eleitoral, mas avaliou que existe uma probabilidade elevada de uma nova administração enfrentar graves dificuldades.
Fábio lembrou que também desejou o sucesso do governo Fátima Bezerra (PT), mesmo depois de ter sido derrotado pela petista na eleição de 2022, mas considera que as mudanças prometidas não chegaram à vida da população.
“Eu perdi a eleição passada para Fátima Bezerra e torci muito para que o governo dela desse certo, para que as promessas de campanha fossem realmente acontecer na vida do potiguar. Mas, na verdade, a vida das pessoas não mudou. Nós perdemos tempo.”
Ao analisar o conteúdo da pré-campanha, Fábio avaliou que existe uma escassez de propostas concretas para enfrentar a crise fiscal. Segundo ele, os candidatos evitam discutir as providências necessárias porque qualquer compromisso com contenção de despesas, reorganização das contas ou revisão de prioridades pode provocar desgaste eleitoral.
“Isso é impopular. Falar sobre contas, dificuldades financeiras… As pessoas não vão votar porque você vai fazer o dever de casa.”
Fábio disse que pretende analisar os planos de governo depois que os documentos forem inseridos no sistema de registro de candidaturas da Justiça Eleitoral, mas manifestou desconfiança em relação a programas elaborados apenas para cumprir uma formalidade da campanha.
“Eu quero ver o que foi feito realmente de planejamento e o que foi feito pela inteligência artificial. Porque, pela inteligência artificial, você faz planos de governo maravilhosos, lindos, mas que não têm sequer o olhar do próprio candidato.”
Para o ex-vice-governador, o problema central do Rio Grande do Norte está na necessidade de recuperar o equilíbrio financeiro para que o Estado volte a investir e consiga melhorar áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Ele defendeu que o próximo governador tenha “força” e “austeridade” para conter despesas e negociar com os setores que concentram as principais obrigações do Estado.
“Se a mão do governador não tiver força, não tiver austeridade para conter gastos e negociar com as principais matrizes de despesa, o Estado vai afundar novamente.”
Fábio citou a redução de impostos como uma medida que poderia ser adotada de maneira gradual, vinculada à manutenção da arrecadação e à contenção das despesas.
“O próximo governador tem que reduzir impostos. Reduzir impostos é exatamente mostrar a vitória sobre o déficit, mas, para isso, precisa conter a despesa.”
Como exemplo, ele mencionou iniciativas de redução gradual de alíquotas negociadas com setores econômicos para preservar a arrecadação e estimular as atividades produtivas.
Fábio comparou ainda a situação potiguar à de outros estados nordestinos que, em sua avaliação, fizeram ajustes e conseguiram avançar economicamente.
“Você vê o Nordeste todo em uma direção um pouco diferente do Rio Grande do Norte. Aqui se escolheu não fazer o dever de casa. E não vou falar só do atual governo. Foram todos.”