Natal tem como principais desafios ambientais para a infância o saneamento nas escolas, o acesso à água tratada e a coleta adequada de esgoto, segundo o Painel Crianças e Meio Ambiente, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela organização Vital Strategies. O levantamento analisou 5.571 municípios brasileiros e classificou indicadores ambientais conforme o grau de prioridade para orientar políticas públicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes.
Saneamento nas escolas
O indicador de crianças e adolescentes matriculados em escolas sem saneamento básico completo recebeu alta prioridade em Natal. Segundo o levantamento, 8,41% das matrículas da educação básica estão em unidades de ensino que não possuem simultaneamente água encanada, esgotamento sanitário e coleta de lixo.

A presença de áreas verdes nas escolas foi classificada como prioridade média, alcançando 60,85% das instituições de ensino avaliadas no município.
Infraestrutura urbana
Na área de infraestrutura ambiental e urbana, o painel apontou alta prioridade para o percentual de crianças e adolescentes sem coleta adequada de esgoto, que representa 7,1%, e para a população sem acesso à água tratada, correspondente a 26,04%.
Os indicadores relacionados à coleta inadequada de resíduos, moradias precárias, acesso à rede geral de abastecimento e destinação de lixo receberam classificação entre baixa e média prioridade.
Eventos climáticos e qualidade do ar
O levantamento indica ainda que Natal apresenta prioridade média no indicador relacionado a chuvas intensas, com média de 30 ocorrências por ano. Os impactos de secas recentes também foram classificados como prioridade média, enquanto ondas de calor receberam baixa prioridade pela ausência de informações disponíveis.
Na qualidade do ar, todos os indicadores avaliados — concentração de partículas finas (PM2,5), poluição causada pelo transporte rodoviário e densidade de focos de calor — foram classificados como baixa prioridade.
Painel reúne indicadores ambientais
Lançado em meio às discussões sobre os possíveis impactos do fenômeno El Niño no Brasil, o Painel Crianças e Meio Ambiente reúne 14 indicadores divididos em quatro áreas: ambiente escolar, eventos climáticos extremos, qualidade do ar e infraestrutura ambiental e urbana.
Cada indicador recebe uma classificação de prioridade — alta, média ou baixa — para indicar onde são necessárias ações imediatas, planejamento ou apenas acompanhamento contínuo.
A plataforma também disponibiliza 50 recomendações para auxiliar gestores municipais na criação e implementação de políticas públicas para crianças e adolescentes.
Segundo o representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, a ferramenta foi criada para ajudar gestores a identificar riscos ambientais enfrentados pela infância e orientar ações mais eficientes.
Cenário nacional
O levantamento nacional apontou que 333 municípios brasileiros (6%) apresentam alta prioridade em dez ou mais indicadores, enquanto 108 cidades (1,9%) não registraram alta prioridade em nenhum dos 14 indicadores avaliados.
As maiores concentrações de vulnerabilidades estão nas regiões Norte e no Maranhão. No Nordeste, 49% dos municípios apresentam alta prioridade no indicador de escolas sem acesso simultâneo a água encanada, esgotamento sanitário e coleta de lixo.
O estudo também destaca que problemas como falta de água tratada, saneamento, coleta de resíduos e condições precárias de moradia costumam ocorrer de forma conjunta, exigindo ações integradas dos governos.
Saneamento ainda é desafio no RN
O Rio Grande do Norte ainda está distante da universalização do esgotamento sanitário. Dados da Agência Nacional de Águas (ANA), de março de 2026, apontam que apenas 26% da população do Estado é atendida pela rede de esgoto.
Em Natal, o índice chega a 41,4%, mas a maior parte dos imóveis ainda não está conectada ao sistema público de coleta e tratamento.
Na Zona Norte da capital, a situação é mais crítica: cerca de 339,5 mil pessoas ainda não possuem acesso ao serviço. Atualmente, apenas 3% da população da região é atendida pelo sistema de esgotamento sanitário.
No dia 22, foi inaugurada a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Professor Cícero Onofre de Andrade Neto, conhecida como ETE Jaguaribe, na Redinha. A expectativa é que a cobertura de esgotamento sanitário na Zona Norte aumente de 3% para 95% após a conclusão das ligações dos imóveis à rede coletora