A expansão dos casos de infecção causada pela Naegleria fowleri, conhecida como “ameba comedora de cérebros”, tem despertado preocupação entre pesquisadores de diferentes países. Embora a doença continue sendo considerada rara, especialistas observam que o microrganismo passou a ser identificado em regiões onde anteriormente era pouco frequente, além de ambientes que não eram tradicionalmente associados à infecção.
O aumento dos registros também tem sido atribuído às mudanças climáticas, que favorecem o aquecimento das águas, e ao aperfeiçoamento dos métodos de diagnóstico.

A infecção ganhou atenção após a morte de Jordan Smelski, então com 11 anos, que contraiu a doença durante uma viagem em família à Costa Rica, em 2014. O menino nadou em uma fonte de águas quentes durante as férias e, poucos dias depois, começou a apresentar fortes dores de cabeça, vômitos e alterações neurológicas.
Seu pai, Steve Smelski, relembra que o filho era saudável antes do episódio.
“Jordan nadou um dia, uma vez, e, agora, ele se foi.”
Os sintomas evoluíram rapidamente. Após ser internado, Jordan passou a apresentar alucinações e crises convulsivas. Sete dias e meio depois de nadar, morreu em decorrência da meningoencefalite amebiana primária, infecção cerebral extremamente agressiva causada pela Naegleria fowleri.
Segundo o pai, a doença destrói rapidamente o tecido cerebral.
“Ela leva seu cérebro embora, retira seus pensamentos, você deixa de ser quem é.”
A Naegleria fowleri é um organismo microscópico encontrado principalmente em lagos, rios, fontes de águas termais e piscinas abandonadas com água doce aquecida. A infecção ocorre quando a água contaminada entra pelo nariz, normalmente durante mergulhos ou brincadeiras aquáticas.
A ameba percorre o nervo olfatório até alcançar o cérebro, onde passa a destruir o tecido cerebral.
A doença não é transmitida pelo contato entre pessoas. Uma análise publicada em 2025 no Journal of Infection and Public Health identificou 488 casos registrados no mundo entre 1962 e 2023.
Historicamente, a maioria das infecções ocorreu no sul dos Estados Unidos, Austrália e Paquistão. Entretanto, pesquisadores observam uma expansão geográfica da doença.
Além da exposição durante atividades recreativas em águas doces aquecidas, a Naegleria fowleri também pode alcançar o cérebro durante procedimentos de irrigação nasal quando realizados com água contaminada.
Por isso, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomendam utilizar apenas água destilada, esterilizada ou previamente fervida e resfriada para esse tipo de procedimento.
Ao frequentar lagos, rios ou fontes termais, a orientação é reduzir ao máximo a entrada de água pelo nariz, utilizando clipes nasais.