O escritor e viajante francês Julien Blanc-Gras denunciou que teve seu nome utilizado sem autorização na divulgação de um livro produzido por inteligência artificial. A obra, colocada à venda na Amazon, era apresentada como se tivesse sido escrita por ele, embora o autor afirme nunca ter participado da produção do conteúdo.
O livro, intitulado Complete Adventure Guide: A Modern Traveler’s Survival Manual, era comercializado por 17,05 euros, cerca de R$ 101 na cotação atual. Na página do produto, Blanc-Gras aparecia identificado como um “autor aventureiro”, reforçando a falsa atribuição da autoria.

O caso foi revelado pelo próprio escritor em um artigo publicado na seção de opinião do jornal francês Le Monde. “Eu sou Julien Blanc-Gras. E, de fato, sou um escritor que viaja. O problema é que nunca escrevi esse livro”, afirmou. No texto, o autor utiliza o episódio para criticar o uso de ferramentas de inteligência artificial treinadas a partir de conteúdos produzidos por terceiros sem autorização.
“Gigantes da tecnologia saqueiam nosso trabalho para alimentar seus modelos de IA, sem nosso consentimento e sem qualquer compensação. Uma IA que satura nossas telas e desestabiliza a realidade. Uma IA que, de agora em diante, pode se apropriar de nossas vozes, nossas imagens e nossos nomes para golpes patéticos”, escreveu.
Segundo Blanc-Gras, a internet já reúne um grande número de livros produzidos por inteligência artificial e atribuídos a autores inexistentes. No entanto, ele considera que seu caso representa um problema ainda mais grave por envolver o uso da identidade de uma pessoa real.
“Eu não sou fictício. É genuinamente o meu nome que aparece na capa. Um limite foi ultrapassado: o roubo de identidade de um escritor”, declarou.
Após identificar o livro, o escritor informou que procurou assistência jurídica para avaliar possíveis medidas legais contra os responsáveis pela publicação. Além disso, apresentou uma reclamação formal à Amazon, solicitando a retirada da obra da plataforma.
Segundo Blanc-Gras, a empresa removeu o livro após a denúncia. Apesar disso, ele afirma que a publicação continua disponível em diversos outros sites de comércio eletrônico. De acordo com o escritor, o título ainda pode ser encontrado em plataformas sediadas nos Estados Unidos, Dinamarca e Coreia do Sul.
O episódio reacende o debate sobre o uso de inteligência artificial na produção de conteúdos e sobre os limites legais envolvendo direitos autorais, identidade e utilização de nomes de pessoas reais na divulgação de obras geradas automaticamente.