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Ameaça

Geração Z enxerga IA como ameaça

Estudo aponta crescimento da preocupação com automação e desaparecimento de carreiras tradicionais
Por O Correio de Hoje
08/05/2026 | 12:43

A rápida expansão da inteligência artificial no cotidiano tem provocado uma mistura de fascínio e insegurança entre os jovens brasileiros. Embora a tecnologia seja vista como ferramenta inevitável do futuro, cresce entre integrantes da geração Z o medo de que a automação reduza oportunidades de trabalho e transforme profundamente carreiras antes consideradas estáveis.

Uma pesquisa recente mostra que a percepção de ameaça relacionada à inteligência artificial aumentou significativamente entre jovens de 14 a 29 anos. O levantamento aponta que boa parte dessa geração acredita que profissões tradicionais poderão desaparecer ou sofrer mudanças radicais nos próximos anos em razão do avanço acelerado das ferramentas automatizadas.

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Estudo aponta crescimento da preocupação com automação e desaparecimento de carreiras tradicionais Foto: Imagem Gerada por IA

O sentimento de incerteza aparece principalmente entre estudantes e jovens em início de carreira, que enxergam dificuldade crescente para planejar o futuro profissional diante das transformações tecnológicas em curso.

A pesquisa indica que mais da metade dos entrevistados acredita que a inteligência artificial deve impactar diretamente suas áreas de atuação. O temor é mais forte em profissões ligadas à produção de conteúdo, administração, atendimento, design, tecnologia e setores que lidam com tarefas repetitivas ou processamento de dados.

Além da preocupação econômica, o estudo revela um componente emocional importante: muitos jovens relatam ansiedade diante da velocidade com que novas ferramentas digitais surgem e alteram a dinâmica do mercado de trabalho.

A sensação de instabilidade é reforçada pela percepção de que empresas estão substituindo gradualmente atividades humanas por sistemas automatizados capazes de produzir textos, imagens, códigos, relatórios e análises em poucos segundos.

Especialistas ouvidos na pesquisa afirmam que o receio não é infundado, mas destacam que o impacto da inteligência artificial tende a ser desigual entre diferentes profissões. Algumas funções podem desaparecer, enquanto outras devem surgir ou passar por reconfiguração profunda.

Para estudiosos do tema, a principal mudança não está apenas na eliminação de postos de trabalho, mas na transformação das habilidades exigidas. A tendência é que profissionais precisem desenvolver competências ligadas à criatividade, pensamento crítico, resolução de problemas e adaptação constante.

O debate ganhou força nos últimos anos após a popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa, capazes de criar conteúdos complexos de maneira automatizada. Plataformas voltadas à produção de texto, imagem e vídeo passaram a integrar rotinas profissionais em velocidade inédita.

A percepção dos jovens acompanha esse cenário. Muitos entrevistados afirmam enxergar a IA simultaneamente como oportunidade e ameaça. Ao mesmo tempo em que reconhecem potencial de produtividade e inovação, demonstram preocupação com competitividade crescente e possível precarização do trabalho.

Entre os estudantes, o medo aparece associado principalmente à dificuldade de inserção no mercado. Jovens relatam receio de investir anos em formação acadêmica para atuar em profissões que podem mudar drasticamente em pouco tempo.

Outro ponto levantado pela pesquisa é a pressão psicológica causada pela necessidade permanente de atualização. Muitos entrevistados afirmam sentir que precisam aprender continuamente novas ferramentas digitais para não se tornarem obsoletos profissionalmente.

Especialistas destacam que esse sentimento é intensificado pela velocidade das transformações tecnológicas atuais. Diferentemente de revoluções anteriores, a inteligência artificial avança simultaneamente em várias áreas e altera atividades intelectuais antes consideradas exclusivamente humanas.

Apesar das preocupações, pesquisadores alertam que previsões extremas sobre desaparecimento em massa de empregos costumam simplificar um processo mais complexo. Historicamente, avanços tecnológicos eliminaram determinadas funções, mas também criaram novos setores econômicos e novas ocupações.

Ainda assim, especialistas reconhecem que a transição atual pode gerar impactos sociais relevantes, especialmente em países marcados por desigualdade educacional e dificuldade de qualificação profissional contínua.

A pesquisa também revela diferenças geracionais na forma de encarar a tecnologia. Enquanto jovens demonstram maior ansiedade em relação ao futuro do trabalho, muitos adultos enxergam a IA como ferramenta complementar, capaz de ampliar produtividade sem substituir completamente profissionais.

Entre os entrevistados, aparece ainda uma percepção de falta de preparo das instituições de ensino para lidar com as mudanças em curso. Parte dos jovens acredita que escolas e universidades ainda trabalham com modelos distantes das exigências do novo mercado tecnológico.

Especialistas defendem que o debate sobre inteligência artificial precisa ir além da inovação tecnológica e incluir discussões sobre educação, legislação trabalhista, ética digital e distribuição de renda.

Outro aspecto levantado é a concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia responsáveis pelo desenvolvimento dessas ferramentas. Pesquisadores alertam que o avanço da IA pode ampliar desigualdades econômicas caso os benefícios da automação não sejam distribuídos de maneira equilibrada.

Ao mesmo tempo, a inteligência artificial já começa a modificar hábitos cotidianos. Ferramentas automatizadas passaram a auxiliar desde tarefas escolares até planejamento financeiro, produção criativa e atendimento ao consumidor.

Essa presença crescente da IA no cotidiano contribui para tornar o debate ainda mais concreto entre os jovens, que convivem diariamente com tecnologias capazes de executar atividades antes exclusivas de profissionais especializados.

Mesmo diante do receio, especialistas afirmam que a adaptação tende a ser mais eficiente entre gerações mais novas justamente por sua familiaridade com ambientes digitais. O desafio, segundo eles, está menos no acesso à tecnologia e mais na capacidade de desenvolver habilidades humanas difíceis de automatizar.

Para pesquisadores, profissões ligadas à empatia, criatividade, negociação, liderança e interpretação subjetiva ainda devem manter forte presença humana, mesmo em um cenário de automação ampliada.

O avanço da inteligência artificial também tem provocado mudanças na maneira como jovens enxergam sucesso profissional. Em vez de carreiras lineares e estáveis, cresce a percepção de que o futuro exigirá trajetórias mais flexíveis, aprendizado contínuo e reinvenção frequente.

Enquanto empresas aceleram investimentos em automação e IA generativa, especialistas afirmam que a discussão sobre o futuro do trabalho deixou de ser um exercício de previsão distante e passou a fazer parte das preocupações imediatas de uma geração que tenta construir espaço profissional em meio à transformação tecnológica mais acelerada das últimas décadas.