A Justiça do Rio Grande do Norte aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público estadual contra 25 integrantes apontados como membros da cúpula do Sindicato do Crime, uma das principais facções criminosas em atuação no Estado. Com a decisão, todos passam oficialmente à condição de réus em ação penal que investiga organização criminosa armada, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro.
A denúncia é resultado das investigações da operação Treme Tudo, deflagrada em 10 de dezembro do ano passado com o objetivo de desmontar células armadas da facção. A ofensiva cumpriu mandados judiciais no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas e Rondônia e teve como foco lideranças, operadores financeiros e integrantes ligados à logística do grupo criminoso.

Além dos integrantes da facção, o Ministério Público também denunciou uma advogada suspeita de atuar como elo entre líderes presos e integrantes em liberdade. Segundo as investigações, ela participava do repasse de mensagens e ordens criminosas por meio de “catataus”, bilhetes usados internamente pela organização.
A estrutura do Sindicato do Crime descrita na denúncia apresenta modelo hierárquico dividido entre comando estratégico, coordenação regional, logística e arrecadação financeira. No topo da organização estaria a chamada “Final”, formada pelos fundadores da facção. Logo abaixo aparece o Conselho Estadual, também identificado como CBF, responsável por decisões estratégicas e autorizações para execuções.
Entre os principais denunciados está Alligueiton Patrício de Araújo, apontado como uma das lideranças centrais da facção. Segundo o Ministério Público, ele exercia papel de comando dentro do conselho e responderá por organização criminosa armada, associação para o tráfico em dez episódios distintos, comércio ilegal de armas e lavagem de capitais.
A investigação também identifica uma rede de chefes locais espalhados por bairros e cidades da Grande Natal. Entre eles aparecem Rodrigo Rodrigues Salviano, ligado à atuação da facção no Golandim, em São Gonçalo do Amarante, e Vitor Vinícius de Moura Torres, apontado como liderança na região da Guarita.
Também foram denunciados Alexsandro Freitas de Souza, Iranilson de Lima Rodrigues e José Henrique Alves de Oliveira, todos acusados de integrar a organização armada.
Segundo o Ministério Público, o grupo possuía setores internos especializados para controle financeiro, cadastro de integrantes e administração da estrutura criminosa. Esses núcleos eram chamados de “Transparência”, “Cadastro Geral” e “Geral do Sistema”.
Os investigadores apontam Ricardo Alexandre do Nascimento e Lenilson Silva dos Santos como responsáveis por parte dessa estrutura administrativa da facção. Já Kleiton da Silva teria atuado no controle de dívidas e gerenciamento local em Ponta Negra.
Outro nome citado na denúncia é o de Eudes da Cruz Ribeiro Júnior, apontado como responsável pela logística bélica e financeira em Parnamirim. Mesmo preso, Marcelo André de Oliveira é apontado como integrante do núcleo de orientação e comando do grupo criminoso. O Ministério Público afirma que ele continuava exercendo influência sobre decisões da facção mesmo custodiado.
As investigações também indicam participação de integrantes ligados diretamente ao tráfico de drogas e comércio de armas. Entre eles estão Lucas Vinícius Ernesto Dantas, Jefferson Kleyton Fernandes e Arthur Kelwen Dantas da Silveira.
Um dos pontos que mais chamou atenção dos investigadores foi a existência da chamada “Sintonia dos Gravatas”, estrutura paralela formada por advogados suspeitos de atuar em benefício da facção. Segundo o Ministério Público, a advogada Sandra Cássia Moura Caetano exerceria papel de comunicação entre líderes presos e integrantes externos.
Ela foi presa em flagrante no dia da operação Treme Tudo portando os chamados “catataus”, utilizados para transmitir ordens da facção. A advogada responde por integrar organização criminosa armada e por embaraçar investigações.
A denúncia também aponta conexões interestaduais do Sindicato do Crime com outras facções criminosas do país. Entre os grupos citados estão Nova Okaida, da Paraíba; GDE, do Ceará; ADE, de Goiás; BDM, da Bahia; e TCP, com atuação no Rio de Janeiro, Ceará e Goiás.
As investigações identificaram ainda ligação com o Comando Vermelho no Amazonas. Segundo o Ministério Público, Josue Moraes de Almeida seria liderança da facção amazonense e atuaria como fornecedor de drogas para o grupo potiguar.
Outro investigado, Francisco Shalon Bezerra de Araújo, é apontado como intermediador do tráfico interestadual e responderá por organização criminosa, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Para movimentar recursos do tráfico e ocultar patrimônio, a facção utilizava contas bancárias de terceiros, segundo o Ministério Público. Lucas Pereira de Oliveira Silva é apontado como operador financeiro e logístico de Alligueiton Patrício. Yanne Pinheiro Teixeira teria disponibilizado contas bancárias usadas na circulação de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Outros acusados seguem foragidos.