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Transplante

Brasil registra recorde histórico de transplantes no ano de 2025

País realizou 31 mil procedimentos no ano passado, impulsionado por investimentos no SUS e ampliação da logística aérea; recusa familiar ainda é principal obstáculo para ampliar doações
Por O Correio de Hoje
08/05/2026 | 14:08

O Brasil registrou em 2025 o maior número de transplantes de órgãos da história do país. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, foram realizados 31 mil procedimentos ao longo do ano passado, número que representa crescimento de 21% em comparação com 2022 e supera os índices observados antes da pandemia de Covid-19.

Apesar do avanço considerado histórico pelo governo federal e por especialistas da área, o país ainda enfrenta obstáculos importantes para reduzir o tamanho das filas de espera. Entre os principais desafios apontados está a alta taxa de recusa familiar para doação de órgãos, que permanece em torno de 45%.

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Brasil bateu recorde de transplantes de órgãos com 31 mil procedimentos realizados pelo Sistema Nacional de Transplantes Foto: Reprodução

Os dados mostram que milhares de famílias continuam recusando a autorização para doação mesmo após confirmação de morte encefálica de pacientes aptos à captação de órgãos. Segundo o Ministério da Saúde, esse fator ainda representa um dos maiores entraves para ampliar o número de transplantes no Brasil.

O transplante de córnea foi o procedimento mais realizado em 2025, com 17.790 cirurgias. Em seguida aparecem os transplantes de rim, com 6.697 procedimentos; medula óssea, com 3.993; fígado, com 2.573; e coração, com 427.

De acordo com o Ministério da Saúde, o resultado foi impulsionado pela ampliação da estrutura logística do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que integra o Sistema Único de Saúde (SUS) e coordena a distribuição de órgãos e tecidos em todo o País. Atualmente, cerca de 86% dos transplantes realizados no Brasil são financiados pelo SUS. O ministério atribui parte do crescimento ao aumento de investimentos destinados ao sistema nacional de transplantes.

Somente em 2025, os recursos federais destinados à área chegaram a R$ 1,5 bilhão, valor 36% superior ao registrado em 2022. O governo também destaca a ampliação da distribuição interestadual de órgãos e tecidos, medida que permitiu ampliar o número de procedimentos realizados em diferentes regiões.

Segundo os dados oficiais, foram realizados no ano passado 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e quatro de pâncreas em operações envolvendo transporte interestadual de órgãos. Outro fator apontado como decisivo foi o fortalecimento da logística aérea para transporte de órgãos e equipes médicas. O Ministério da Saúde informou que houve atuação conjunta com companhias aéreas e com a Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pelo transporte de órgãos e equipes em diferentes estados.

Em 2025, a FAB realizou 4.808 voos destinados ao transporte de órgãos e profissionais envolvidos em captação e transplantes, alta de 22% em relação ao registrado em 2022. Além disso, houve ampliação das equipes de captação de órgãos em funcionamento no País. Segundo o ministério, o Brasil passou a contar com 63 novos profissionais especializados atuando na área, totalizando aproximadamente 1,6 mil profissionais distribuídos nas diferentes regiões brasileiras.

Mesmo com os números recordes, o tamanho das filas de espera ainda preocupa autoridades de saúde. Atualmente, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes, 48.827 brasileiros aguardam por um órgão. A maior fila continua sendo a de córneas, com 36.169 pacientes esperando por transplante. Na sequência aparecem os transplantes de rim, com 45.236 pessoas na fila, fígado, com 2.424, e coração, com 481.

Especialistas afirmam que a resistência familiar à doação continua sendo um dos principais obstáculos para acelerar o sistema. O Ministério da Saúde reforça que, no Brasil, mesmo que a pessoa manifeste em vida o desejo de doar órgãos, a autorização final ainda depende da família. “Essa é uma decisão que acontece em um momento muito difícil, de dor e impacto emocional. Por isso, falar sobre o tema com a família faz diferença”, informou o ministério em nota.

O governo também avalia que campanhas de conscientização e informação pública seguem fundamentais para ampliar a cultura de doação de órgãos no país. Profissionais da área defendem que conversas familiares sobre o desejo de doar podem reduzir dúvidas e facilitar decisões em momentos delicados.

Nos últimos anos, o Brasil passou a investir em mecanismos para acelerar diagnósticos de morte encefálica, melhorar a comunicação entre hospitais e centrais de transplantes e ampliar a eficiência no transporte de órgãos entre estados. Mesmo diante das dificuldades, especialistas apontam que o crescimento registrado em 2025 consolida o Brasil como uma das maiores redes públicas de transplantes do mundo. O desafio agora, segundo profissionais da área, será manter o ritmo de expansão ao mesmo tempo em que se busca reduzir desigualdades regionais e ampliar o número de doadores efetivos.