As investigações envolvendo o Banco Master e a nova fase da Operação Compliance Zero ampliaram a disputa política entre governistas e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão relacionados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a explorar politicamente o caso e tentar aproximar o escândalo de figuras ligadas ao bolsonarismo.
Nos bastidores de Brasília, aliados do governo intensificaram o discurso de que a operação teria revelado conexões entre empresários investigados, integrantes do PL e lideranças do Centrão associadas ao grupo político do ex-presidente. Em resposta, parlamentares da oposição reagiram acusando governistas de tentar transformar as investigações em instrumento de disputa eleitoral.

A expressão “BolsoMaster” passou a circular entre parlamentares e integrantes do governo como forma de associar o caso do Banco Master ao universo político bolsonarista. A estratégia ganhou força após a divulgação de trechos das investigações que citam relações entre empresários ligados ao banco e figuras influentes da política nacional.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, foi um dos integrantes do governo que passaram a explorar publicamente o tema. Em redes sociais, ele compartilhou trechos de entrevistas antigas e afirmou que o caso revelaria proximidade política entre integrantes do PL e empresários investigados.
Boulos recuperou declaração de Flávio Bolsonaro em entrevista concedida anteriormente à Folha de S.Paulo, na qual o senador defendia o nome de Ciro Nogueira como possível candidato a vice-presidente em uma futura chapa presidencial ligada ao bolsonarismo.
Na publicação, o ministro sugeriu ligação política entre os envolvidos e ironizou o episódio. “Ciro Nogueira, da mesada de R$ 500 mil do Master. Precisa desenhar?”, escreveu. Em outra manifestação, Boulos afirmou que o caso exigiria resposta mais contundente das autoridades. “A nova fase da Operação Compliance Zero mostra a intimidade do coração do governo Bolsonaro com o esquema do ‘BolsoMaster’: Banco Central, Fazenda, Casa Civil, Previdência, INSS e até o gabinete da Presidência aparecem cercados por operadores da fraude. É hora de instalar uma CPI no Congresso e CPI na Câmara”, declarou.
A fala intensificou a reação da oposição. Integrantes do PL afirmam que o governo tenta utilizar o episódio para criar desgaste político contra adversários em meio à antecipação do cenário eleitoral de 2026.
Flávio Bolsonaro inicialmente evitou comentar diretamente as investigações envolvendo o Banco Master e a operação da PF. Após o avanço da repercussão política, porém, o senador passou a se manifestar publicamente nas redes sociais.
Em vídeo publicado após encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Flávio afirmou que as investigações devem seguir critérios técnicos e respeitar o devido processo legal. “Entende-se que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal”, declarou.
Posteriormente, o senador ampliou o discurso político sobre o caso e passou a defender a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Banco Master. “O Congresso Nacional tem obrigação de fazer a sua parte. É por isso que a CPI do Banco Master precisa sair do papel”, afirmou.