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Economia

Governo prepara “Desenrola 2.0” com uso do FGTS para renegociação de dívidas

Programa deve permitir uso do FGTS na renegociação de dívidas, com descontos que podem chegar a 90%
Por O Correio de Hoje
28/04/2026 | 14:28

O governo federal deve anunciar ainda nesta semana uma nova versão do programa de renegociação de dívidas, apelidada de “Desenrola 2.0”, com previsão de permitir o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como instrumento para quitação de débitos. A medida foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reuniões com representantes do sistema financeiro, em São Paulo.

Segundo o ministro, o uso do FGTS será limitado a um percentual do saldo disponível, vinculado diretamente ao pagamento das dívidas renegociadas. “É um saque limitado dentro do programa, não necessariamente superior ao valor da dívida”, afirmou.

Dario Durigan
Dario Durigan quer um novo Desenrola ainda esta semana, para tirar milhares de brasileiros das dívidas - Foto: paulo pinto / agência brasil

A proposta está em fase final de estruturação e deve ser apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias. A expectativa da equipe econômica é que o anúncio oficial ocorra ainda nesta semana.

O desenho do programa foi discutido com dirigentes de grandes instituições financeiras, incluindo Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil, BTG Pactual e Nubank, além da Federação Brasileira de Bancos. Também houve interlocução com o Citibank.

De acordo com Durigan, o programa terá como foco principal a renegociação de dívidas de alto custo, como cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial, cujas taxas de juros podem variar entre 6% e 10% ao mês. A iniciativa prevê exigir contrapartidas das instituições financeiras, incluindo redução significativa dessas taxas.

A nova edição do Desenrola também contará com aporte do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que funcionará como mecanismo de garantia para viabilizar os acordos. A expectativa do governo é alcançar descontos de até 90% sobre os valores devidos, a depender do perfil da dívida.

O ministro ressaltou que o programa terá caráter excepcional e não recorrente, afastando a possibilidade de se tornar uma política permanente de refinanciamento. “Não se trata de um Refis periódico”, afirmou.

A estimativa da equipe econômica é que a medida alcance dezenas de milhões de brasileiros. Na primeira edição do programa, lançada em 2023, cerca de 15 milhões de pessoas renegociaram R$ 53,2 bilhões em dívidas.

O lançamento ocorre em um contexto de inadimplência elevada e juros ainda altos, embora com perspectiva de redução nos próximos meses, o que reforça a estratégia do governo de estimular a reorganização financeira das famílias e ampliar o acesso ao crédito.