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Economia

Alta dos aluguéis supera inflação no início de 2026 e pressiona mercado em Natal

Com juros elevados e crédito restrito, capital potiguar acompanha tendência nacional de valorização da locação
Por O Correio de Hoje
14/04/2026 | 11:58

Os preços de locação residencial no Brasil começaram 2026 em ritmo superior aos principais índices de inflação, intensificando a pressão sobre o custo de moradia — movimento que também se reflete em Natal, onde o mercado imobiliário vem sendo impactado por demanda aquecida e oferta limitada em algumas regiões.

Dados do FipeZap indicam que o aluguel subiu 2,45% no primeiro trimestre, acima do IPCA, que avançou 1,92%, e do IGP-M, com variação de 0,19% no período. O resultado reforça uma tendência de valorização mais acelerada da locação frente à inflação oficial.

Aluguel
Com juros elevados e crédito restrito, capital potiguar acompanha tendência nacional de valorização da locação - Foto: Fipezap

O avanço foi disseminado pelo país: 33 das 36 localidades monitoradas registraram alta nos preços, incluindo 20 das 22 capitais analisadas. Em mercados regionais como Natal, o comportamento segue a mesma direção, com maior procura por imóveis para aluguel, especialmente em bairros com infraestrutura consolidada e proximidade de áreas turísticas e comerciais.

Entre as capitais com maior valorização no trimestre estão Manaus (+10,12%), Campo Grande (+9,12%) e Aracaju (+7,06%). Já Teresina e São Luís registraram leve recuo de 0,12%.

Na passagem de fevereiro para março, os preços de locação avançaram 0,84%, abaixo da alta de 0,94% no mês anterior, mas ainda acima da variação média dos preços de venda de imóveis, que foi de 0,48%. Em Natal, esse descompasso entre compra e aluguel também vem sendo observado, refletindo a maior dificuldade de acesso ao financiamento imobiliário.

Mesmo com a desaceleração mensal, o aluguel continuou superando os índices inflacionários. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registrou alta de 0,88% no IPCA de março, enquanto o Fundação Getulio Vargas apontou avanço de 0,52% no IGP-M.

No recorte mensal por capitais, Aracaju liderou a alta em março, com 6,53%, enquanto São Luís teve a maior queda, de 1,24%.

Em Natal, o cenário é influenciado por fatores estruturais. A taxa básica de juros ainda elevada no país encarece o crédito imobiliário, o que leva parte da população a adiar a compra da casa própria e permanecer no mercado de aluguel. Esse movimento amplia a demanda e sustenta a valorização dos preços.

Além disso, a capital potiguar enfrenta restrições de oferta em áreas valorizadas, o que intensifica a competição por imóveis e contribui para reajustes mais frequentes. Regiões com forte apelo turístico e boa infraestrutura urbana concentram esse movimento.

Outro ponto relevante é a mudança na dinâmica de reajustes. Tradicionalmente atrelados ao IGP-M, os contratos de locação passaram a ser renegociados com maior frequência nos últimos anos, reduzindo a dependência do índice e aproximando os valores das condições reais de mercado.

Esse descolamento ajuda a explicar por que, mesmo com a desaceleração do IGP-M, os preços de aluguel continuam avançando em ritmo mais acelerado.

A tendência, segundo analistas, é de manutenção desse cenário ao longo de 2026, ainda que com possíveis ajustes condicionados à trajetória dos juros, da inflação e da renda das famílias. Em cidades como Natal, o equilíbrio entre oferta e demanda seguirá como fator determinante para o comportamento dos preços no setor.