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Vendas

Casas Bahia passa a vender na Amazon e intensifica disputa no comércio eletrônico

Parceria integra estratégia de reestruturação e expansão digital da varejista
Por O Correio de Hoje
24/03/2026 | 17:31

A Casas Bahia iniciou, nesta semana, a comercialização de seus produtos dentro do marketplace da Amazon no Brasil. O movimento ocorre em meio ao processo de reestruturação da varejista, que conseguiu reduzir significativamente seu endividamento, mas ainda enfrenta desafios para recuperar a rentabilidade.

Na nova frente de vendas, a empresa disponibiliza itens como televisores, smartphones, computadores, móveis da marca Bartira e produtos para o lar. Em caráter promocional, consumidores de São Paulo e Rio de Janeiro terão frete grátis em compras acima de R$ 399 em produtos selecionados.

Amazon e Casas Bahia
Casas Bahia diz que parceria com Amazon tem objetivo de diversificar canais de venda e ampliar portfólio - Foto: Money Report / Reprodução

De acordo com as empresas, a parceria deve avançar em uma segunda etapa, quando a operação logística da Casas Bahia será integrada à estrutura da Amazon. Com isso, os produtos poderão receber o selo Prime, que garante entregas mais rápidas e frete gratuito para assinantes do serviço.

O CEO do Grupo Casas Bahia, Renato Franklin, afirmou, em nota, que a iniciativa está alinhada à estratégia de diversificação dos canais de venda e ampliação do portfólio. O acordo também reforça a presença da Amazon no mercado brasileiro, onde a companhia afirma ter investido cerca de R$ 55 bilhões desde o início das operações, incluindo tecnologia, infraestrutura e contratação de pessoal.

Atualmente, a Amazon conta com mais de 250 centros logísticos no País, sendo cerca de cem unidades inauguradas apenas em 2025. Neste mês, a empresa também passou a operar com entregas em até 15 minutos, marcando sua entrada no segmento de entregas ultrarrápidas e na venda de alimentos frescos e congelados no Brasil, ampliando a concorrência com aplicativos de delivery e outras plataformas digitais.

A entrada da Casas Bahia na plataforma ocorre após a empresa encerrar um processo de recuperação extrajudicial iniciado em 2024. Ao longo desse período, a companhia reduziu sua dívida em mais de 70%, encerrando 2025 com um passivo de R$ 1,13 bilhão.

Sob o controle da gestora Mapa Capital, que detém 85,5% do grupo, a varejista adotou uma política mais rigorosa na concessão de crédito, com o objetivo de manter a inadimplência abaixo de 9%. A medida, no entanto, limita a expansão das vendas a prazo no curto prazo.

Mesmo com o ajuste financeiro, a empresa ainda registra prejuízo. Em 2025, as perdas somaram R$ 2,98 bilhões, quase três vezes acima do resultado negativo do ano anterior, influenciadas por ajustes contábeis e pelo impacto das taxas de juros elevadas.

A parceria com a Amazon integra a estratégia de fortalecimento da presença digital da companhia, que tem ampliado sua atuação em marketplaces de terceiros. No quarto trimestre de 2025, esse canal respondeu por 45,5% das vendas totais do grupo, avanço em relação aos 31% registrados até setembro do mesmo ano. O crescimento foi impulsionado, principalmente, pelo acordo firmado com o Mercado Livre em novembro de 2024.

Paralelamente, a Casas Bahia segue em processo de reestruturação operacional, com redução de custos e enxugamento da estrutura. Nos últimos cinco anos, o quadro de funcionários foi reduzido em 24%, passando de 46 mil para cerca de 35 mil colaboradores.

Números das empresas

CASAS BAHIA
Fundação: 1957
Sede: São Paulo
Funcionários: cerca de 35 mil
Estrutura: 1.070 lojas e 25 centros de distribuição, presentes em 23 estados e no Distrito Federal
Concorrentes: Magazine Luiza, Mercado Livre, Shopee, Lojas Cem
Faturamento em 2025: R$ 34,8 bilhões

AMAZON BRASIL
Fundação: 2012
Funcionários: cerca de 36 mil (entre diretos e indiretos)
Estrutura logística: mais de 250 centros logísticos
Principais concorrentes: Mercado Livre, Magazine Luiza e Shopee

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