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Economia

Distribuição de combustíveis enfrenta falhas pontuais e alta de preços em meio à defasagem do diesel

Importação mais cara, demanda aquecida e restrições de oferta elevam tensão no abastecimento, sobretudo no Norte e Nordeste
Por O Correio de Hoje
20/03/2026 | 10:50

O setor de distribuição de combustíveis registra episódios pontuais de desabastecimento e forte pressão de preços, em um cenário de desequilíbrio entre oferta e demanda de diesel no país. Relatos de mercado indicam falhas de fornecimento de “algumas horas” em diferentes localidades, com maior incidência nas regiões Norte e Nordeste e em polos logísticos como Recife (PE), Santos (SP), Paranaguá (PR) e São Luís (MA).

Apesar das ocorrências pontuais de falta, a principal preocupação de distribuidoras e postos está na escalada dos preços. O diesel importado, responsável por cerca de 30% do consumo nacional — participação que já chega a 35% segundo fontes do setor —, tem sido impactado pela alta das cotações internacionais do petróleo. Como os preços praticados pela Petrobras seguem abaixo da paridade internacional, importadores reduzem compras para evitar prejuízos, já que o produto importado pode custar até R$ 2,50 a mais por litro.

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Setor de distribuição de combustíveis registra episódios pontuais de desabastecimento e forte pressão de preços - Foto: Agência Petrobras

Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) apontam que a defasagem permanece elevada mesmo após reajuste recente nas refinarias. A Petrobras vendia o diesel cerca de 67% (R$ 2,41 por litro) abaixo da paridade internacional, enquanto a gasolina apresentava diferença de 52% (R$ 1,30 por litro). O cenário ocorre em meio ao aumento da demanda, impulsionado pelo início da colheita de uma supersafra de soja.

Distribuidoras relatam ainda dificuldades em obter volumes adicionais junto à Petrobras. Segundo executivos, a estatal teria reduzido em cerca de 20% o fornecimento previsto para abril, embora mantenha os volumes mínimos contratuais. A companhia nega a redução e afirma que suas refinarias operam em carga máxima, com entregas cerca de 15% superiores ao acordado no início do mês.

Diante das restrições, grandes redes como Raízen, Vibra e Ipiranga passaram a priorizar suas próprias bandeiras, reduzindo entre 10% e 20% as vendas para postos independentes e transportadores-revendedores-retalhistas (TRRs). Nos bastidores, executivos admitem que não há capacidade para atender a todos os pedidos, o que amplia a pressão sobre pequenos operadores e consumidores comerciais.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) decidiu intensificar o monitoramento de estoques e importações e notificará a Petrobras para ofertar volumes de leilões de diesel e gasolina cancelados em março. O órgão também solicitou informações detalhadas sobre preços e importações previstas, em tentativa de evitar agravamento no abastecimento.

No varejo, o movimento já se reflete no comportamento de consumidores e revendedores, que antecipam compras diante do receio de novos aumentos. Segundo distribuidoras, as vendas cresceram cerca de 20% em março na comparação anual. Motoristas relatam forte elevação nos preços — com o litro do diesel saindo de R$ 5,79 há duas semanas para até R$ 7,99 ou mais recentemente —, enquanto episódios de falta de combustível seguem pontuais, mas recorrentes em algumas regiões.