A Amazon planeja reduzir de forma significativa o volume de pacotes enviados por meio do serviço postal dos Estados Unidos (USPS), em movimento que pode retirar milhões de dólares em receitas da agência. Segundo reportagem do Wall Street Journal, a empresa pretende diminuir em pelo menos dois terços os envios realizados pela USPS até outubro, quando expira o contrato atual entre as partes.
A mudança ocorre em um momento de fragilidade financeira para o serviço postal. Em depoimento ao Congresso americano nesta semana, o diretor-geral da USPS, David Steiner, afirmou que a instituição pode ficar sem recursos entre outubro e novembro, caso mantenha os pagamentos obrigatórios de aposentadorias e outras obrigações. A Amazon é hoje o maior cliente da agência e representou cerca de 15% das entregas realizadas no ano passado, com mais de 1 bilhão de pacotes.

Os volumes garantidos pela empresa têm sido uma das principais fontes de estabilidade da USPS, que acumula prejuízo líquido de US$ 118 bilhões desde 2007. Apenas no ano fiscal de 2025, as perdas somaram US$ 9 bilhões. Diante desse cenário, Steiner defendeu mudanças estruturais, incluindo aumento do preço dos selos, maior capacidade de endividamento e reformas legislativas.
Entre as alternativas para reduzir custos, a USPS avalia diminuir a frequência de entregas para cinco dias por semana, o que poderia gerar economia anual de cerca de US$ 3 bilhões, além do fechamento de agências em áreas remotas, com potencial de corte de US$ 840 milhões. Outra possibilidade seria elevar o preço do selo de primeira classe para US$ 1 ou mais, ante os atuais US$ 0,78. Segundo Steiner, no entanto, essas medidas podem enfrentar resistência política e da população.
A decisão da Amazon reflete também a expansão de sua própria rede logística. Dados da consultoria ShipMatrix indicam que a empresa entregou 6,7 bilhões de pacotes no último ano, superando pela primeira vez os 6,6 bilhões distribuídos pela USPS. O plano de redução de envios teria sido comunicado à agência por meio de um processo de licitação confidencial.
O movimento acompanha uma tendência mais ampla no setor. Empresas como FedEx e UPS já reduziram a dependência da Amazon, priorizando contratos mais rentáveis. Com isso, a gigante do comércio eletrônico amplia o controle sobre sua cadeia logística, enquanto pressiona ainda mais o modelo operacional do serviço postal americano.
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