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Economia

AIE anuncia liberação recorde de petróleo para conter crise causada por bloqueio do Estreito de Ormuz

Agência Internacional de Energia vai colocar 400 milhões de barris no mercado após ameaça do Irã de impedir trânsito de petróleo no principal corredor energético do mundo
Por O Correio de Hoje
12/03/2026 | 14:43

A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou nesta quarta-feira, 11, a liberação emergencial de 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas para compensar a perda de suprimento provocada pelo fechamento de fato do Estreito de Ormuz em meio à guerra envolvendo o Irã.

A decisão foi confirmada pelo diretor-executivo da agência, Fatih Birol, após o governo iraniano ameaçar impedir a passagem de “um único litro de petróleo” pelo estreito, rota responsável por mais de 20% do transporte global do recurso energético. Segundo Birol, os 32 países membros aprovaram por unanimidade a maior liberação de reservas da história da organização.

Petróleo AIE
AIE anuncia liberação recorde de petróleo - Foto: Reprodução

A AIE coordena políticas energéticas e estoques estratégicos de petróleo de economias industrializadas da Europa, da América do Norte e da Ásia-Pacífico. Entre os membros estão países como França, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Japão, Coreia do Sul, México e Austrália. O Brasil é considerado um país em processo de adesão.

“Os desafios que enfrentamos no mercado do petróleo são de uma escala sem precedentes. Por isso, fico extremamente satisfeito que os países membros tenham respondido com uma ação coletiva de emergência igualmente sem precedentes”, afirmou Birol.

De acordo com a agência, os barris serão liberados gradualmente, conforme as circunstâncias nacionais de cada país participante. O volume corresponde a cerca de quatro dias do consumo mundial ou ao equivalente ao fluxo que, em condições normais, atravessa o Estreito de Ormuz ao longo de 20 dias.

Esta é a sexta vez que a AIE promove uma liberação coordenada de reservas estratégicas. Medidas semelhantes ocorreram durante a Guerra do Golfo de 1991, após o Furacão Katrina em 2005, durante a crise da Primavera Árabe de 2011 e duas vezes em 2022, no contexto da crise energética global.

Segundo dados do organismo, os países membros mantêm mais de 1,2 bilhão de barris em reservas de emergência, além de outros 600 milhões armazenados pela indústria petrolífera em cumprimento a exigências legais.

Antes da escalada do conflito, os barris de referência Brent crude oil e West Texas Intermediate eram negociados na faixa de US$ 60, refletindo oferta abundante. Com o agravamento da guerra, o preço chegou a ultrapassar US$ 100, embora tenha recuado recentemente para níveis entre US$ 80 e US$ 90.

Apesar da moderação recente, o preço da gasolina subiu em diversos países, levando governos a discutir medidas de contingência para evitar impactos mais severos na economia.

O governo iraniano anunciou que passará a concentrar seus esforços militares no bloqueio do Estreito de Ormuz. A estratégia, segundo analistas, busca pressionar o mercado internacional e elevar os custos econômicos da guerra para os adversários.

Em comunicado, o porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari, do quartel-general Khatam al Anbiya, afirmou que Teerã não permitirá que “nem um único litro de petróleo” atravesse o estreito com destino aos Estados Unidos, a Israel ou a seus aliados.

“Qualquer navio ou petroleiro com destino a eles será um alvo legítimo”, disse. “Preparem-se para que o barril de petróleo chegue a US$ 200.”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a disparada do petróleo como uma “questão de guerra” e afirmou que os mercados devem se estabilizar em breve.

Segundo ele, forças americanas já atacaram 28 embarcações iranianas suspeitas de tentar minar rotas marítimas no estreito. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) também alertou civis iranianos a evitarem portos na costa sul do país, alegando que instalações civis estariam sendo usadas para operações militares.

Diante da ameaça ao principal corredor energético do planeta, produtores do Golfo buscam alternativas para manter as exportações.

A Saudi Aramco anunciou a ampliação do fluxo no oleoduto Leste–Oeste da Arábia Saudita, que liga campos petrolíferos do Golfo ao Mar Vermelho. Segundo o diretor-executivo da empresa, Amin Nasser, o sistema está sendo operado próximo de sua capacidade máxima, cerca de 7 milhões de barris por dia.

Nos Emirados Árabes Unidos, o oleoduto de Abu Dhabi também permite desviar parte da produção para o porto de Fujairah, no Golfo de Omã. Ainda assim, mesmo operando no limite, essas rotas alternativas conseguem transportar menos da metade do volume que normalmente passa pelo Estreito de Ormuz.

Países como Kuwait e Iraque, que não dispõem de infraestrutura semelhante, já começaram a reduzir a produção.

Para Nasser, a interrupção atual representa “a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou”.

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