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Queijarias artesanais do RN conquistam 47 medalhas em premiação nacional

Produtores potiguares são premiados em um dos principais concursos do setor no País; resultado reforça a competitividade da cadeia leiteira artesanal e amplia perspectivas de mercado
Redação
28/07/2026 | 05:29

Os produtores de queijos artesanais do Rio Grande do Norte consolidaram o Estado entre os destaques da produção nacional ao conquistarem 47 medalhas na 9ª edição do Prêmio Queijo Brasil, realizada entre os dias 23 e 26 de julho, em Blumenau (SC). Considerado um dos principais concursos do segmento no País, o evento reuniu 583 produtores de 347 municípios brasileiros e avaliou, às cegas, quase 3 mil produtos lácteos artesanais. As premiações obtidas por dez queijarias potiguares reforçam o avanço da cadeia leiteira estadual em qualidade, diversificação e agregação de valor.

Ao todo, os produtores do Rio Grande do Norte receberam 16 medalhas de ouro, 20 de prata e 11 de bronze. Entre os produtos reconhecidos estão queijo de manteiga, queijo de coalho, manteiga da terra, manteiga de garrafa, ricota, iogurtes, doce de leite e manteiga ghee. As empresas premiadas estão concentradas principalmente nas regiões Seridó e Agreste, áreas que preservam uma tradição histórica na produção de derivados do leite e vêm ampliando sua inserção em mercados especializados.

Medalhas
Produtores do RN ganharam 16 medalhas de ouro, 20 de prata e 11 de bronze - Foto: Cedida

O Prêmio Queijo Brasil é considerado uma das principais vitrines da produção artesanal brasileira. Os produtos inscritos são submetidos a degustações técnicas às cegas, conduzidas por especialistas que avaliam critérios como sabor, textura, aroma, aparência e identidade regional. A premiação tornou-se uma referência para consumidores, distribuidores e compradores do segmento de alimentos artesanais, contribuindo para ampliar a visibilidade das marcas vencedoras.

Na avaliação do analista e gestor do programa Leite e Genética do Sebrae-RN, Luis Felipe, o desempenho potiguar representa um dos resultados mais expressivos já alcançados pelo Estado na competição. “Este resultado foi excepcional, um dos melhores que já tivemos em premiações, considerando que praticamente todos os produtos inscritos foram reconhecidos. É uma resposta a todo o trabalho desenvolvido pela cadeia queijeira potiguar, que competiu em alto nível com produtores de todo o Brasil e supera, diariamente, os desafios para permanecer na atividade.”

Segundo ele, o reconhecimento nacional tende a fortalecer a competitividade das agroindústrias locais e abrir novas oportunidades comerciais. “A expectativa é que os produtores continuem avançando, conquistando novos mercados e alcançando resultados ainda mais expressivos”, acrescentou Luis Felipe.

Entre os destaques da edição está a Queijaria Dona Branca, que conquistou oito medalhas — três de ouro, três de prata e duas de bronze — além do reconhecimento como Melhor Produto Lácteo do Estado do Rio Grande do Norte. Para Ísis Pereira, representante da empresa, o resultado confirma a evolução da produção e o investimento contínuo em qualidade. “Compreendemos que grandes resultados são fruto de um esforço coletivo. É uma imensa satisfação levar essas premiações para o nosso Estado, que tem se destacado cada vez mais no setor queijeiro.” Segundo ela, o desempenho demonstra a consistência do portfólio desenvolvido pela empresa.

“Esse resultado reflete a excelência do nosso portfólio, que reúne iogurtes, queijos e doces, todos premiados. Além disso, recebemos a honrosa distinção de ‘Melhor Produto Lácteo do Estado do Rio Grande do Norte’, um reconhecimento que nos enche de orgulho”, complementou Ísis Pereira.

Outra empresa de destaque foi a Queijaria Gertrudes, de Caicó, que também recebeu oito medalhas, incluindo dois ouros conquistados com o queijo de coalho e a manteiga da terra, um dos primeiros produtos fabricados pela empresa. Para Alane Dantas, o reconhecimento representa a continuidade de uma tradição familiar e o amadurecimento do negócio. “É um momento de muita felicidade. Esse reconhecimento mostra que estamos no caminho certo e evoluindo a cada ano. Agora, é seguir trabalhando para continuar produzindo alguns dos melhores queijos do concurso”, disse Alane Dantas.

O desempenho das queijarias potiguares acompanha um movimento de fortalecimento da produção artesanal no Brasil, impulsionado por investimentos em qualificação técnica, melhoria dos processos produtivos, rastreabilidade e certificações sanitárias. Nos últimos anos, Estados do Nordeste têm ampliado sua presença em concursos nacionais, agregando valor a produtos tradicionais e ampliando o acesso a mercados especializados.

Para o Sebrae-RN, o resultado obtido em Blumenau reforça o potencial econômico da cadeia leiteira artesanal, especialmente nas regiões do Seridó e Agreste, onde a atividade desempenha papel relevante na geração de renda e na fixação de pequenos produtores no campo. A expectativa é que a visibilidade proporcionada pelo Prêmio Queijo Brasil contribua para ampliar a comercialização dos produtos potiguares em novos mercados, fortalecendo um segmento que alia tradição regional, inovação e qualidade reconhecida nacionalmente.