O setor de bares e restaurantes do Rio Grande do Norte opera com redução da lucratividade, aumento dos custos operacionais e dificuldades para repassar a inflação aos consumidores. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Norte (Abrasel-RN), Thiago Haddad, o desempenho das empresas potiguares está abaixo da média nacional, cenário que tem levado ao fechamento de estabelecimentos mesmo anos após a pandemia da Covid-19.
Thiago Haddad afirmou que a entidade concentra sua atuação na qualificação dos empresários e no fortalecimento do segmento de alimentação fora do lar. Segundo ele, trata-se de um mercado de fácil acesso para novos empreendedores, mas que exige gestão profissional para alcançar sustentabilidade.

O dirigente destacou que a alimentação fora do lar ocupa posição central na atividade turística, principal vetor econômico do Estado. Segundo ele, bares, restaurantes, hotéis e agências de viagens formam a base da cadeia do turismo potiguar e respondem por um dos maiores volumes de emprego e movimentação econômica do país.
Na avaliação da Abrasel, entretanto, o setor enfrenta um ambiente de forte pressão financeira. Haddad afirmou que menos de 30% das empresas conseguem reajustar os preços na mesma proporção da inflação, enquanto a maioria absorve parte dos aumentos para não perder competitividade.
“A empresa do setor tem absorvido muito as margens para não repassar integralmente ao consumidor. Menos de 30% consegue repassar na medida da inflação ou acima dela.”
Segundo ele, a combinação entre juros elevados, aumento dos preços dos alimentos, energia, aluguel e demais insumos reduziu a capacidade financeira das empresas, especialmente no Rio Grande do Norte, que, segundo a entidade, apresenta desempenho inferior ao restante do país em faturamento e lucratividade.
Haddad afirmou que o momento vivido pelo segmento supera, sob alguns aspectos, as dificuldades enfrentadas durante a pandemia, quando empresas contaram com programas emergenciais de apoio dos governos federal e estadual.
“Na pandemia a gente teve uma série de incentivos, de ajuda do Estado, do Governo Federal, que propiciaram o setor sobreviver. Tantos anos depois da pandemia, a gente passa por um desafio muito grande.”
O presidente da Abrasel também chamou atenção para o fechamento de empresas tradicionais do setor e afirmou que a situação preocupa as seccionais da entidade em todo o país. Segundo ele, além da mudança nos hábitos de consumo, o aumento da carga tributária e do custo de operação tem pressionado os empreendedores.