O patrimônio do Instituto Municipal de Previdência Social dos Servidores de Mossoró (Previ Mossoró) passou de R$ 63,3 milhões, em dezembro de 2020, para R$ 244 milhões em julho de 2026. O crescimento nominal em menos de seis anos foi de aproximadamente R$ 180,6 milhões, equivalente a 285%, e ocorreu durante a administração do prefeito Allyson Bezerra, hoje candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo União Brasil. Ele governou a cidade entre 1º de janeiro de 2021 e 27 de março de 2026, quando renunciou para ficar apto à disputa eleitoral.
O valor inicial consta no Demonstrativo de Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA) de 2021, encaminhado ao Ministério da Previdência com data-base de 31 de dezembro de 2020. Na ocasião, o instituto possuía R$ 63.356.135,41 em ativos garantidores. A Prefeitura também reconhecia uma dívida superior a R$ 230 milhões com o Previ, acumulada por meio de contribuições patronais não recolhidas e parcelamentos previdenciários.

A partir de 2021, a administração municipal passou a manter os repasses correntes em dia, evitando a formação de novos atrasos. Em janeiro daquele ano, o então presidente do instituto, Paulo Linhares, afirmou que o objetivo era garantir a regularidade dos pagamentos. “Todo nosso esforço será para manter os repasses rigorosamente normais”, declarou.
Além dos recolhimentos mensais, a Prefeitura iniciou o pagamento e a reorganização das obrigações acumuladas anteriormente. Em 2021, o Município informou ter destinado R$ 42,1 milhões ao pagamento de dívidas previdenciárias com o Previ Mossoró e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No ano seguinte, a Câmara Municipal aprovou uma reforma da previdência local, a criação do regime de previdência complementar e o reparcelamento de débitos anteriores em até 240 meses. A medida não eliminou contabilmente toda a dívida, mas estabeleceu um cronograma para o pagamento e o acompanhamento do passivo.
Paralelamente, o Previ Mossoró modificou a composição de sua carteira de investimentos. Os recursos passaram a ser distribuídos entre fundos de renda fixa, títulos públicos, fundos imobiliários e participações menores em renda variável, com acompanhamento de consultoria especializada. No consolidado de dezembro de 2025, cerca de 97,5% da carteira estava aplicada em produtos vinculados à Caixa Econômica Federal, ao Banco do Brasil e ao Banco do Nordeste.

Os relatórios do instituto apontam crescimento gradual dos ativos. Ao final de 2024, os ativos garantidores somavam R$ 175,4 milhões. Em dezembro de 2025, o Previ registrou R$ 216,3 milhões investidos, além de R$ 842,9 mil em disponibilidade, alcançando patrimônio total de R$ 217,1 milhões. Sete meses depois, uma apresentação aos conselhos Previdenciário e Fiscal e ao Comitê de Investimentos informou que o montante havia chegado a R$ 244 milhões.
Durante a reunião, o economista Vitor Leitão, sócio da Lema, empresa responsável pelo acompanhamento da carteira, avaliou positivamente a situação do instituto. “O Previ Mossoró tem uma saúde financeira muito boa”, afirmou. Segundo ele, o crescimento patrimonial está relacionado à administração dos recursos e à segurança adotada nos investimentos.
Déficit atuarial
Apesar da ampliação das reservas, a situação financeira imediata não elimina os problemas previdenciários projetados para o longo prazo. O DRAA de 2025 ainda aponta déficit atuarial, cálculo que considera as receitas e todas as aposentadorias e pensões a serem pagas nas próximas décadas. O instituto também mantém parcelamentos a receber do Município.
Os dados indicam, contudo, uma mudança na trajetória patrimonial do Previ, com regularidade nos repasses correntes, organização das obrigações anteriores e reservas quase quatro vezes superiores às registradas no final de 2020. O sistema passou a dispor de maior capacidade financeira e de um fluxo programado para o recebimento dos débitos.
Disputa eleitoral
Candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra tem apresentado os resultados administrativos obtidos em Mossoró como parte de sua atuação à frente da Prefeitura. No caso do Previ, embora o déficit atuarial e os parcelamentos permaneçam como desafios, os números mostram aumento das reservas, reorganização do passivo e maior previsibilidade financeira para o instituto.
Em entrevista à TV Agora RN em abril, ele relatou que, quando assumiu a prefeitura, o município tinha uma dívida previdenciária de R$ 233 milhões. Ao deixar o cargo, afirmou, o instituto municipal tinha R$ 226 milhões em caixa.
“Como é que isso é possível? Primeiro, você precisa organizar a Previdência com gente técnica, com gente capacitada”, disse. Para ele, não se pode indicar pessoas para a área previdenciária apenas por amizade ou conveniência política. “Tem que colocar alguém com competência para fazer cálculo atuarial, para conversar com o Ministério da Previdência, para fazer uma análise criteriosa da folha.”
Questionado sobre o fato de a Previdência estadual envolver servidores de outros Poderes, Allyson disse que pretende chamar todos à mesa de negociação. Mas rejeitou responsabilizar Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas ou Assembleia Legislativa pela crise. “Eu não vou fazer essa política pequena de responsabilizar o Ministério Público, de responsabilizar o Tribunal de Justiça”, afirmou.
Segundo ele, o Executivo precisa assumir seu papel e dialogar com grandeza. “O Executivo tem que ter papel de grandeza, e papel de grandeza não é responsabilizar os outros por aquilo que é responsabilidade sua. É chamar cada um para conversar, apresentar números, apresentar o que está tomando de medida”, declarou.
Em outra entrevista, em junho, lembrou que assumiu a prefeitura, em 2021, enfrentando dívidas trabalhistas, previdenciárias e atrasos em pagamentos a servidores e fornecedores, cenário que, segundo sua avaliação, foi revertido ao longo do mandato.
“Eu assumi uma gestão com dívidas trabalhistas, de INSS, de Previdência, devendo 13º salário, terceirizados, fornecedores e prestadores de serviços. Cinco anos depois, fizemos um grande choque de gestão, um grande trabalho com organização, com tecnologia e investimento forte nisso para organizar as finanças do município”, declarou, à TV Tropical.
Segundo Allyson, esse trabalho permitiu que Mossoró alcançasse classificação máxima na Capag, índice do Tesouro Nacional que mede a Capacidade de Pagamento de estados e municípios. “Hoje a cidade tem um selo A de regularidade fiscal, concedido pelo Tesouro Nacional. Isso mostra que é possível organizar as contas públicas e voltar a investir”, enfatizou.