A pneumonia costuma ter início com sintomas semelhantes aos de uma infecção respiratória comum, como coriza, tosse, febre baixa e cansaço. Embora a maioria desses quadros evolua sem complicações, especialistas alertam que é fundamental observar a evolução dos sintomas e identificar sinais que indicam agravamento da doença.
A infecção atinge os pulmões, principalmente os alvéolos, estruturas responsáveis pela troca de oxigênio entre o ar e o sangue. Quando inflamados, esses pequenos sacos podem acumular líquido e secreções, comprometendo a respiração e reduzindo a oxigenação do organismo. A pneumonia pode ser causada por vírus, bactérias e, em menor frequência, fungos. Entre os agentes mais comuns estão os vírus da influenza e da Covid-19, além da bactéria pneumococo.

Os sintomas variam de uma pessoa para outra. Enquanto alguns pacientes apresentam febre alta, tosse com catarro, dor no peito e falta de ar, outros desenvolvem apenas fraqueza intensa, perda de apetite, sonolência ou confusão mental. Em idosos, alterações de comportamento podem ser mais evidentes do que a febre. Já nas crianças, respiração acelerada, esforço para respirar, recusa alimentar e prostração são sinais que exigem atenção.
Segundo especialistas, identificar os sinais de gravidade é mais importante do que tentar descobrir, em casa, qual microrganismo provocou a infecção. A falta de ar é considerada o principal indicativo de alerta. Dificuldade para completar frases, respiração muito acelerada, sensação de sufocamento e esforço para respirar são sintomas que exigem avaliação médica imediata.
Outros sinais que também indicam necessidade de atendimento urgente incluem dor no peito, lábios arroxeados, desmaios, confusão mental, sonolência incomum, pressão arterial baixa, incapacidade de ingerir líquidos e piora rápida do estado geral.
Outro quadro que merece atenção é quando o paciente apresenta melhora inicial, mas volta a ter febre, fraqueza ou dificuldade para respirar. Essa piora pode indicar uma complicação ou o surgimento de uma infecção bacteriana secundária.
Alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença. Estão entre eles bebês, idosos, gestantes, fumantes e pessoas com doenças cardíacas, pulmonares, renais, diabetes, câncer ou imunidade comprometida.
Os especialistas também alertam para o uso inadequado do oxímetro como único parâmetro para avaliar a gravidade do quadro. Embora a saturação de oxigênio possa fornecer informações importantes, aparelhos domésticos estão sujeitos a interferências, como mãos frias, movimento, esmalte nas unhas, má circulação e uso incorreto. Além disso, uma pessoa pode apresentar um quadro grave antes mesmo de ocorrer queda significativa na saturação.
Por isso, sintomas como confusão, exaustão, dor no peito e piora progressiva não devem ser ignorados, mesmo diante de valores aparentemente normais no oxímetro.
Outro erro frequente é iniciar o uso de antibióticos sem orientação médica. Esses medicamentos não são eficazes contra infecções virais e seu uso inadequado pode provocar efeitos adversos, dificultar o diagnóstico e contribuir para o aumento da resistência bacteriana. A escolha do tratamento depende da causa provável da infecção, da gravidade do caso, da idade do paciente, de doenças pré-existentes e da avaliação clínica.
A prevenção da pneumonia começa antes do aparecimento dos sintomas. A vacinação contra influenza, Covid-19 e pneumococo, quando indicada, reduz o risco de formas graves da doença. Também são recomendadas medidas como manter ambientes ventilados, higienizar as mãos, evitar contato próximo com pessoas doentes e utilizar máscara em locais fechados durante períodos de aumento de infecções respiratórias. Deixar de fumar também contribui para reduzir o risco de complicações.
Embora nem toda tosse durante o inverno represente uma emergência, especialistas reforçam que a falta de ar nunca deve ser tratada como um sintoma comum de gripe. A recomendação é acompanhar a evolução do quadro, reconhecer sinais de agravamento e procurar assistência médica sempre que houver dificuldade respiratória ou piora do estado geral.