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Polêmica
Pai de santo pede R$ 1 bilhão em processo contra Netflix e Porta dos Fundos; saiba o motivo
Advogado já havia entrado com outro processo contra o especial do Porta dos Fundos
Redação
29/09/2020 | 15:49

A 26ª Vara Cível do Rio de Janeiro concedeu isenção das custas processuais ao Babalorixa Alexandre Montecerrath, que move um contrato contra as empresas Netflix e Porta dos Fundos por “afronta aos valores religiosos”. O motivo é o “Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo”, que conta a história de um Jesus Cristo gay. No processo, o pai de santo pede indenização de R$ 1 bilhão que iria para igrejas comprovadamente carentes.

A decisão, considerada pelo advogado Anselmo Costa como “a primeira vitória contra o Netflix” no caso, é da juíza Rosana Simen Rangel. Para o advogado, despacho garante ao centro de umbanda Ilê Asé Ofá de Prata, representado pelo Babalorixa, o livre acesso à Justiça num estado democrático de direito. “Temos de uma igreja muito pobre e humilde que está lutando contra esse gigante que acha que pode comprar todos. Isso pode colaborar de uma forma genérica para todos aqueles que tiveram sua fé abalada”, explica o advogado.

O pai de santo Montecerrath argumenta que o filme apresenta enredo “totalmente desrespeitoso” porque “adultera totalmente a história de Jesus perante a todas religiões que o cultuam”. Ele acusa ainda o roteiro de colocar na figura religiosa uma “roupagem sexual, palavras de baixo calão e apologia às drogas, dentre outras coisas que ironizam e debocham com a fé alheia”. Por se sentir ofendido, o pai de santo quer, além do valor por danos morais, que o título seja retirado do ar.

Justiça

Esta não é, contudo, a primeira vez que o especial sofre retaliação judicial. Em julho deste ano, a Veja noticiou que a igreja Templo Planeta do Senhor, presidida pelo próprio Anselmo Costa, perdeu o direito de Justiça gratuita. A decisão da juíza do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Patrícia Conceição, fez com que o Templo desistisse da ação. A indenização pedida no processo também era de R$ 1 bilhão.

Antes, em janeiro deste ano, a Justiça do Rio de Janeiro chegou a censurar o especial do Porta dos Fundos, em decisão do desembargador Benedicto Abicair, da 6ª Câmara Cível. Não demorou, no entanto, para o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, derrubar a ação. Além disso, a sede do Porta dos Fundos foi alvo de ataque na véspera de Natal, em 2019, no Rio de Janeiro.

Especial de Natal

Em “A Primeira Tentação de Cristo”, Jesus, interpretado por Gregório Duvivier, está completando 30 anos de idade e decide levar para casa um convidado que conheceu no deserto. Convidado esse que, interpretado por Fábio Porchat, mais tarde se revela como o Diabo. Com roteiro do próprio Porchat, o especial dirigido por Rodrigo Van Der Put é fruto de parceria da produtora com a Netflix.

Para além da relação amorosa de Jesus com o personagem de Porchat, “A Primeira Tentação” apresenta ainda Deus como uma entidade manipuladora e sugere que Maria que teria traído José. Ao ver as críticas contra o filme na internet, Porchat provocou: “Gente, pode deixar que eu me resolvo com Deus, tá de boas, não precisa se preocupar não. Agora pode voltar a se indignar com a desigualdade que destrói nosso país. Mas tem que se indignar com o mesmo fervor, tá?”

Depois de tanta polêmica em volta do projeto, a Netflix desistiu de inscrever o especial no Emmy deste ano, a mais celebrada premiação de TV do mundo. Em 2019, outra parceria brasileira levou o Emmy de Melhor Comédia: “Se Beber, Não Ceie”. Procurada, a empresa informou que não tem “nenhum posicionamento para compartilhar”.

*As informações são do O Povo

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