Moradores da Primeira Avenida do Sport Clube Natureza, em Extremoz, improvisaram barricadas com sacos de areia para tentar impedir que a água invadisse as casas após o transbordamento de uma lagoa de captação. Pelo menos 23 famílias foram afetadas pelos alagamentos provocados pelas chuvas que atingem a Região Metropolitana de Natal desde o fim de semana. O nível da Lagoa de Extremoz também transbordou nesta terça-feira 21, levando água para ruas do entorno e dificultando o tráfego de veículos.
As barreiras foram montadas pelos próprios moradores na tentativa de conter o avanço da água. Em diversos trechos, a única forma de entrar ou sair de casa é atravessando áreas alagadas. Há relatos de pessoas ilhadas, sem conseguir trabalhar ou realizar atividades básicas.

Os moradores afirmam que o problema começou no fim de semana, quando a lagoa de captação transbordou e passou a inundar a região. Desde então, o nível da água permanece elevado e se aproxima de novas residências.
Entre os transtornos relatados estão dificuldades de locomoção, risco para idosos e crianças, perda de móveis e danos a equipamentos. Uma moradora informou que mantém o neto no colo porque a água impede que ele permaneça no chão da residência. Outra reclamação recorrente é a falta de condições para deixar as casas sem caminhar pela água acumulada.
Os moradores também cobram obras de infraestrutura e drenagem. Segundo eles, o loteamento foi implantado sem um sistema eficiente para escoamento das águas pluviais. Há ainda críticas à estrutura utilizada para armazenar a água da chuva, que, segundo os residentes, funciona apenas como um reservatório sem saída para o escoamento.
Outro problema apontado é a dificuldade de obter respostas sobre a responsabilidade pelos danos. Moradores afirmam que, ao procurarem a imobiliária, foram orientados a buscar a Prefeitura, enquanto, no município, dizem ter recebido a informação de que a responsabilidade seria da empresa responsável pelo empreendimento.

Além dos prejuízos materiais, alguns moradores relatam que precisaram retirar móveis das residências e levar familiares para casas de parentes, enquanto aguardam a redução do nível da água.
Durante a manhã, o transbordamento da Lagoa de Extremoz também provocou alagamentos nas vias próximas ao manancial. A água cobriu parte da pista e afetou o tráfego de veículos, aumentando o risco de acidentes, principalmente para motociclistas, devido à possibilidade de buracos encobertos pela lâmina d’água.
Em nota, a Prefeitura de Extremoz informou que equipes da Defesa Civil Municipal monitoram as áreas afetadas pelas chuvas. Segundo o município, a Secretaria Municipal de Assistência Social realiza visitas às famílias atingidas para levantar necessidades e prestar atendimento. A administração acrescentou que avalia, dentro dos critérios legais, as medidas de assistência às famílias afetadas, incluindo a possibilidade de concessão de aluguel social.
Enquanto aguardam providências, os moradores afirmam que permanecem monitorando o avanço da água e reforçando as barricadas improvisadas para tentar evitar que os imóveis sejam inundados. A previsão é de continuidade das chuvas nos próximos dias no litoral potiguar.