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Março Lilás

Março Lilás: Médica ginecologista alerta para prevenção do câncer do colo de útero

Foram registradas 280 casos de câncer de colo de útero em 2023 no Rio Grande do Norte
Isabelly Noemi
12/03/2024 | 08:23

O mês de março marca a campanha Março Lilás, que tem o objetivo de conscientizar a população sobre a prevenção do câncer de colo do útero, um tumor maligno causado pelas infecções persistentes por alguns tipos do Papiloma Vírus Humano (HPV). Para entender mais sobre a doença e sua prevenção, o AGORA RN conversou com a médica ginecologista e vice-presidente da Associação Médica do Rio Grande do Norte, Dra. Rossana Rebelo.

No Brasil, o câncer no colo do útero é o terceiro tumor maligno mais frequente nas mulheres, ficando atrás do câncer de mama e do colorretal, segundo o Ministério da Saúde (MS). O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimou em 17.010 novos casos durante o ano de 2023. No RN, o último relatório do Ministério da Saúde aponta uma incidência de 280 casos anuais.

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Rossana Rebelo destaca que, no Brasil, câncer no colo do útero é o 3º tumor maligno mais frequente nas mulheres, ficando atrás do de mama e do colorreta - Foto: Reprodução

De acordo com a médica, esses números no Rio Grande do Norte são correspondentes a mulheres jovens, entre 20 e 40 anos, que morreram da doença. A vice-presidente da associação ainda reforça que o câncer de colo de útero é o terceiro que mais prevalece em mulheres e o segundo câncer que mais mata nessa faixa etária.

A médica, que também é responsável pela coordenação da campanha do Março Lilás, explica que o câncer de colo de útero não apresenta sintomas precoces. “O câncer de colo de útero não dá sintomas quando ele está no começo, quando ele vem dar sintomas, normalmente, já é um câncer mais avançado”, disse.

Porém, é possível notar quando os sintomas aparecem. “Os sintomas principais são corrimento vaginal com sangue, sangramento depois da relação sexual e sangramento entre as menstruações são os principais sintomas de mulheres que têm um câncer de colo de útero já mais avançado”, explica.

Em relação à prevenção, a ginecologista ressalta a importância de estar atento para dar o diagnóstico das lesões precursoras, que são lesões que aparecem antes do câncer em si e podem ser tratadas com pequenos procedimentos que não causam nenhum sintoma e podem levar à cura dessa doença.

Uma das formas de prevenção é o próprio autocuidado e a responsabilidade. “O autocuidado é, primeiro, tomar a vacina do HPV, que tem uma eficácia enorme tanto na prevenção da infecção pelo HPV, quanto na recidiva das lesões causadas pelos vírus. Além de realizar o exame preventivo, que é o exame de Papanicolau no consultório do ginecologista ou nos postos de saúde”, diz Rossana.

A médica explica que a relação do HPV no desenvolvimento do câncer do colo de útero, é devido ao vírus levar alterações nas células do colo do útero e levar essas células a se alterarem e se transformarem em câncer, se tornando o principal causador desse tipo de câncer.

Recomendações do Ministério da Saúde

O método de rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil é o exame citopatológico (exame de Papanicolaou), que deve ser oferecido às mulheres ou qualquer pessoa com colo do útero, na faixa etária de 25 a 64 anos e que já tiveram atividade sexual.

A rotina recomendada para o rastreamento no Brasil é a repetição do exame Papanicolaou a cada três anos, após dois exames normais consecutivos realizados com um intervalo de um ano. A repetição em um ano após o primeiro teste tem como objetivo reduzir a possibilidade de um resultado falso-negativo na primeira rodada do rastreamento.

Além disso, é recomendado a vacinação contra o HPV em meninos e meninas a partir de 9 anos de idade, disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos postos de saúde. Os pacientes imunossuprimidos, HIV positivos e com câncer também podem tomar a vacina gratuitamente pelo SUS.