O mês de março marca a campanha Março Lilás, que tem o objetivo de conscientizar a população sobre a prevenção do câncer de colo do útero, um tumor maligno causado pelas infecções persistentes por alguns tipos do Papiloma Vírus Humano (HPV). Para entender mais sobre a doença e sua prevenção, o AGORA RN conversou com a médica ginecologista e vice-presidente da Associação Médica do Rio Grande do Norte, Dra. Rossana Rebelo.
No Brasil, o câncer no colo do útero é o terceiro tumor maligno mais frequente nas mulheres, ficando atrás do câncer de mama e do colorretal, segundo o Ministério da Saúde (MS). O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimou em 17.010 novos casos durante o ano de 2023. No RN, o último relatório do Ministério da Saúde aponta uma incidência de 280 casos anuais.

De acordo com a médica, esses números no Rio Grande do Norte são correspondentes a mulheres jovens, entre 20 e 40 anos, que morreram da doença. A vice-presidente da associação ainda reforça que o câncer de colo de útero é o terceiro que mais prevalece em mulheres e o segundo câncer que mais mata nessa faixa etária.
A médica, que também é responsável pela coordenação da campanha do Março Lilás, explica que o câncer de colo de útero não apresenta sintomas precoces. “O câncer de colo de útero não dá sintomas quando ele está no começo, quando ele vem dar sintomas, normalmente, já é um câncer mais avançado”, disse.
Porém, é possível notar quando os sintomas aparecem. “Os sintomas principais são corrimento vaginal com sangue, sangramento depois da relação sexual e sangramento entre as menstruações são os principais sintomas de mulheres que têm um câncer de colo de útero já mais avançado”, explica.
Em relação à prevenção, a ginecologista ressalta a importância de estar atento para dar o diagnóstico das lesões precursoras, que são lesões que aparecem antes do câncer em si e podem ser tratadas com pequenos procedimentos que não causam nenhum sintoma e podem levar à cura dessa doença.
Uma das formas de prevenção é o próprio autocuidado e a responsabilidade. “O autocuidado é, primeiro, tomar a vacina do HPV, que tem uma eficácia enorme tanto na prevenção da infecção pelo HPV, quanto na recidiva das lesões causadas pelos vírus. Além de realizar o exame preventivo, que é o exame de Papanicolau no consultório do ginecologista ou nos postos de saúde”, diz Rossana.
A médica explica que a relação do HPV no desenvolvimento do câncer do colo de útero, é devido ao vírus levar alterações nas células do colo do útero e levar essas células a se alterarem e se transformarem em câncer, se tornando o principal causador desse tipo de câncer.
Recomendações do Ministério da Saúde
O método de rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil é o exame citopatológico (exame de Papanicolaou), que deve ser oferecido às mulheres ou qualquer pessoa com colo do útero, na faixa etária de 25 a 64 anos e que já tiveram atividade sexual.
A rotina recomendada para o rastreamento no Brasil é a repetição do exame Papanicolaou a cada três anos, após dois exames normais consecutivos realizados com um intervalo de um ano. A repetição em um ano após o primeiro teste tem como objetivo reduzir a possibilidade de um resultado falso-negativo na primeira rodada do rastreamento.
Além disso, é recomendado a vacinação contra o HPV em meninos e meninas a partir de 9 anos de idade, disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos postos de saúde. Os pacientes imunossuprimidos, HIV positivos e com câncer também podem tomar a vacina gratuitamente pelo SUS.