O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou nesta segunda-feira 11 as críticas à condução do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Em cerimônia no Palácio do Planalto, Lula apresentou um relatório com episódios e declarações do ex-presidente sobre a crise sanitária e orientou apoiadores a utilizarem o material no embate político.
A manifestação ocorreu durante a sanção da lei que institui o dia 12 de março como Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data remete a 12 de março de 2020, quando a diarista Rosana Aparecida Urbano morreu em São Paulo, tornando-se a primeira vítima da doença no País.

Ao longo dos três anos seguintes, o Brasil contabilizou cerca de 700 mil mortes em decorrência do coronavírus. A atuação de Bolsonaro durante a pandemia, marcada por declarações minimizando a gravidade da doença e por críticas às vacinas, foi um dos principais temas explorados por Lula na campanha presidencial de 2022.
Durante o evento, o presidente mostrou o documento intitulado “Gestão Bolsonaro e a pandemia de Covid-19” e recomendou sua leitura aos apoiadores.
“O Ministério da Saúde publicou aqui a ‘Gestão Bolsonaro e a pandemia de Covid-19’. É importante que cada militante tenha isso aqui na mão, porque aqui tem tudo o que foi a desgraça que eles falaram durante dois anos de pandemia”, afirmou Lula.
O presidente também relembrou declarações de Bolsonaro contra a vacinação e voltou a criticar médicos e entidades que defenderam o uso da cloroquina como tratamento para a doença, apesar da ausência de comprovação científica.
“Se a gente não der nome aos bois, esses cidadãos vão transitar pelas ruas como se fossem seres humanos que tivessem um mínimo de sentimento como humanista”, declarou.
Sem citar nominalmente o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro, Lula também se referiu ao filho do ex-presidente como “fujão”. Eduardo vive nos Estados Unidos desde o ano passado e tem atuado junto a interlocutores do governo americano em críticas à administração petista.
Inicialmente, Lula afirmou que o material havia sido produzido pelo Ministério da Saúde. Posteriormente, o ministro Alexandre Padilha esclareceu que o documento foi elaborado por ele em caráter pessoal, sem utilização da estrutura da pasta.
Questionado por jornalistas sobre o caráter político do relatório, Padilha minimizou o episódio e afirmou que o presidente apenas recomendou a leitura do texto.
“Ele não pediu para o governo distribuir [o relatório], nem para a estrutura do Ministério da Saúde distribuir”, disse o ministro.
A comparação entre os governos Lula e Bolsonaro é uma das principais estratégias do Palácio do Planalto para reforçar a popularidade da atual gestão e consolidar apoio político para a disputa presidencial de 2026.
O presidente avalia que sua administração apresenta resultados superiores aos do antecessor e busca explorar a elevada rejeição de Bolsonaro como ativo eleitoral.
No entorno do governo, aliados também têm adotado essa linha de discurso. O ex-ministro Fernando Haddad, por exemplo, passou a se referir ao senador Flávio Bolsonaro como “Bolsonarinho”, numa tentativa de associar ao filho do ex-presidente a mesma resistência enfrentada pelo pai junto ao eleitorado.