BUSCAR
BUSCAR
RN

Fábio vê RN ‘doente’ e cobra reformas

Ex-vice-governador afirma que o Estado enfrenta grave desequilíbrio fiscal, cobra reformas administrativas e critica pré-candidatos por evitarem discutir soluções concretas para o Rio Grande do Norte
Por O Correio de Hoje
12/05/2026 | 16:10

O ex-vice-governador Fábio Dantas (PSDB) fez uma crítica dura ao quadro administrativo e fiscal do Rio Grande do Norte e afirmou que o Estado precisa enfrentar reformas profundas para sair da crise. Em entrevista à 95 FM nesta segunda-feira 11, ele disse que o RN vive uma situação grave nas contas públicas e acusou os pré-candidatos ao Governo de evitarem o debate sobre as medidas que considera necessárias.

“O Estado do Rio Grande do Norte é um estado doente, extremamente doente. Ele tem um câncer enorme nas suas finanças públicas”, afirmou, ao programa Radar 95. Para Fábio, a crise não pode ser atribuída apenas a um governo específico, mas a uma sequência de gestões e escolhas políticas que deixaram o Estado sem capacidade de investimento e com dificuldade para atender áreas básicas.

Fabio Dantas (2)
Ex-vice-governador Fábio Dantas é um dos principais articuladores do PSDB Foto: José Aldenir

A declaração surgiu em meio ao debate sobre o futuro da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern). Fábio comentou a repercussão da fala de Álvaro Dias (PL), que defendeu estudos sobre propostas envolvendo a federalização da universidade. O ex-vice-governador disse que também foi alvo de críticas na campanha de 2022 — quando foi candidato ao Governo e ficou em 2º lugar — por supostamente defender a privatização ou federalização da universidade, o que, segundo ele, não correspondia ao seu plano.

“Dentro do meu plano de governo, tinha sim a solução para a Uern, que não passava por federalização nem privatização”, disse. Fábio defendeu que a discussão sobre a universidade seja feita com números e sem uso eleitoral. Para ele, o ensino superior deveria ter algum tipo de complementação federal, em modelo semelhante à lógica do Fundeb, para aliviar o peso sobre o caixa estadual.

Segundo Fábio, nenhum estado tem obrigação de manter ensino superior quando já enfrenta dificuldade para cumprir bem sua responsabilidade sobre o ensino básico e médio. Ele afirmou que o Governo Federal deveria repassar recursos por aluno para ajudar estados que bancam universidades próprias. “Receberia um plus para manter o que hoje está onerando e fazendo falta na saúde pública, na educação básica, na educação média”, afirmou.

O ex-vice-governador também criticou o modo como a pré-campanha vem sendo conduzida. Na avaliação dele, os principais nomes colocados para 2026 estão mais preocupados em vencer a eleição do que em apresentar um plano real para reorganizar o Estado. “Eu acho que os candidatos não estão preocupados em melhorar o Rio Grande do Norte, até porque nenhum apresentou nenhuma proposta até agora”, disse.

Fábio afirmou que o próximo governador terá de fazer “cirurgias” administrativas para tentar recuperar a capacidade de gestão do Estado. Ele disse que, se tivesse sido eleito em 2022, enfrentaria medidas duras, mesmo sabendo que poderia pagar um preço eleitoral por isso. “Eu teria feito as cirurgias que o Estado precisa fazer para tentar minimizar os efeitos e entregar um Estado melhor ao próximo governador”, declarou.

Ao comentar os nomes hoje colocados na disputa, Fábio disse que Allyson Bezerra (União Brasil) talvez não queira fazer as reformas necessárias por ser um político novo e com projeto de reeleição. Também afirmou que Álvaro Dias, quando foi prefeito de Natal, não realizou reformas semelhantes às que o Estado precisaria. Sobre Cadu Xavier (PT), declarou que ele conhece os problemas do RN porque participou dos últimos anos da gestão estadual.

“Agora, na campanha, ninguém diz o que vai fazer. Esqueça que nenhum vai dizer”, afirmou.

Para Fábio, o RN precisa de uma reforma administrativa profunda, mas não voltada à demissão de servidores. Segundo ele, o Estado precisa de regras mais objetivas para impedir que servidores fiquem sujeitos a decisões anuais de governo e para evitar que a população continue sofrendo com falta de recursos em áreas como saúde e infraestrutura.

Ele citou o Centro Industrial de Macaíba como exemplo de espaço que poderia gerar mais arrecadação, mas ainda enfrenta problemas de infraestrutura. Também defendeu redução de impostos como caminho para tornar o Estado mais competitivo. “Se você quer criar um Estado competitivo, você tem que reduzir os impostos, não tem como aumentar os impostos aqui não”, disse.

Fábio também explicou por que não está na disputa em 2026. Segundo ele, em 2022 foi candidato ao Governo do Estado porque “ninguém queria ser”. Agora, afirmou, há “muito cacique” no processo eleitoral. Depois da derrota naquele pleito, disse ter voltado à iniciativa privada e se concentrado em suas empresas. “Eu não fui candidato exatamente porque também não me procuraram. Eu fiquei focado no meu trabalho e, como eu perdi, eu acho que desapareci”, afirmou.

Ao falar sobre o PSDB, Fábio disse que o partido ainda discute seu posicionamento majoritário e que há pré-candidatos proporcionais apoiando diferentes nomes ao Governo. Ele afirmou que o presidente do partido e da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), deveria estar no tabuleiro político e que qualquer composição precisa começar por um plano de governo.

“Não dá para apoiar alguém que não tenha um plano para mudar o Rio Grande do Norte, ou para melhorar o Estado”, disse.