Demitida do Ministério da Saúde, Nísia Trindade disse nesta quarta-feira 26 que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alegou que achava importante uma “mudança de perfil” à frente da Saúde. Ela afirmou ter sido “inconcebível” o processo de fritura que sofreu nos últimos tempos pela imprensa, mas avaliou que trocas fazem parte da vivência de qualquer governo.
Nísia deu as declarações ao chegar ao Ministério da Saúde para trabalhar na manhã de ontem. “Lula me comunicou sua avaliação deste segundo momento do governo e que achava importante uma mudança de perfil à frente do ministério, me agradecendo pelo trabalho realizado”, afirmou a jornalistas.

“Acho que Lula entende que as dimensões técnico-políticas, meu entendimento do que ele relatou, são importantes nesse momento. O que eu disse para ele e repito é que ele é o técnico de um time, faz parte da vivência de qualquer governo substituição de ministro. Isso nada depõe em relação ao meu trabalho, sou bem consciente disso”, comentou.
A demissão já era esperada e ocorre após semanas de Nísia na berlinda. A ministra é considerada da cota pessoal do presidente – ou seja, foi nomeada sem indicação política de um partido aliado. O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, vai substituí-la no cargo.
Sobre a pasta de Relações Institucionais, Lula disse nesta quarta-feira que já definiu o substituto de Padilha. No entanto, o nome não foi divulgado.
“Já está escolhido, mas eu não contei para vocês ainda. Eu vou contar quando falar com a pessoa pessoalmente. Não vou indicar a pessoa sem ter falado”, disse Lula em entrevista coletiva durante cerimônia do programa Pé-de-Meia na agência da Caixa Econômica Federal do Palácio do Planalto.
Agora, dois nomes são os principais cotados pelo presidente para a articulação com o Legislativo: o atual líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR).
Guimarães seria o preferido de Lula para o cargo, especialmente pela boa relação com o Centrão. l