BUSCAR
BUSCAR
Política

Lideranças do União Brasil no RN silenciam sobre caso do ministro Juscelino Filho

Agripino disse apenas que cabe a Lula manter ou não ministro
Diego Campelo
08/03/2023 | 07:46

Representantes do União Brasil no Rio Grande do Norte preferiram não falar sobre o caso envolvendo o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União), que está sendo acusado de ter ido a compromissos pessoais durante viagens oficiais com dinheiro público. Diante das suspeitas que recaem sobre ele, o auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) balançou no cargo e teve que dar explicações ao petista, que mesmo assim o manteve na chefia da pasta.

O presidente do União Brasil no RN, José Agripino, não quis emitir juízo de valor acerca da conduta do ministro e colega partidário. Procurado pela reportagem do AGORA RN, ele limitou-se a dizer que cabe apenas ao presidente Lula avaliar as acusações.

ProgramaDefesa de Juscelino Filho afirma que a atuação do ministro - desde que ele era deputado - sempre se pautou "pelo interesse público" | Foto: Agência Brasil
Ministro Juscelino Filho - Foto: reprodução

“Já fui governador e sei que a tarefa de nomear, avaliar comportamento ou demitir auxiliares é indelegável do governante. No caso do ministro das Comunicações, ao presidente da República cabe avaliar se as acusações procedem ou não e se mantém ou exonera o auxiliar que está sob questionamento”, disse Agripino, sem responder mais nenhuma pergunta.

O deputado federal Paulinho Freire, que é do mesmo partido, também não quis entrar no mérito. Por meio de sua assessoria, informou que só irá falar depois que o União Brasil emitisse um posicionamento oficial sobre o tema.

Outro que ficou em silêncio sobre a situação do ministro foi o deputado federal Benes Leocádio (União). Ele foi procurado por mais de uma vez pela reportagem, por ligação e por mensagens, mas não respondeu.

EXPLICAÇÕES

O ministro Juscelino Filho (União) teve que dar explicações ao presidente Lula na tarde da última segunda-feira 6. O petista manteve o auxiliar no cargo mesmo diante de acusações de que ele teria usado um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para participar de compromissos pessoais.

As viagens do ministro foram inicialmente reveladas pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. De acordo com o veículo, Juscelino foi para São Paulo com dinheiro do governo, mas cumpriu agenda predominantemente de assuntos privados.

Antes da reunião de segunda-feira, Lula havia dito que ouviria as justificativas de Juscelino e que, se o ministro não provasse inocência, não poderia continuar no governo. Após o encontro no Palácio do Planalto, Juscelino postou nas redes sociais que esclareceu “acusações infundadas” na conversa com Lula.

ACORDO

Embora com três ministérios no governo Lula, o União Brasil é o partido que está mais dividido em relação a um possível apoio ao governo no Congresso Nacional.

A disposição do presidente em abrir espaço para o União Brasil foi uma forma de atrair a sigla para a base governista. Interlocutores afirmam, inclusive, que esse foi um ponto crucial que deu sobrevida ao ministro Juscelino no governo Lula, uma vez que a decisão do presidente objetivou evitar desgaste com o União, exatamente nesse contexto em que o petista não conta com uma base sólida no Congresso para aprovar projetos de lei de interesse do governo.

Após a conversa com o ministro, ficou acertado que Lula daria mais tempo para Juscelino se explicar em relação às acusações, mas que em troca teria que contar com a fidelidade do União Brasil no Congresso.