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Política Internacional

Planalto avalia que Trump e Milei fazem dobradinha para tumultuar eleições no Brasil

Governo brasileiro interpreta movimentos internacionais como tentativa de favorecer Flávio Bolsonaro, mas aliados citam preocupação com desinformação
Por O Correio de Hoje
29/07/2026 | 16:50

O Palácio do Planalto avalia que os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, articulam uma atuação conjunta com potencial de influenciar o ambiente político brasileiro durante as eleições de outubro. Na avaliação de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a movimentação teria como objetivo favorecer a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A suposta estratégia vem sendo acompanhada há meses pelo governo brasileiro e pelo Itamaraty, especialmente diante da atuação de integrantes ligados à agenda Maga, sigla em inglês para “Make America Great Again” (“Faça a América Grande de Novo”), principal lema do movimento político associado a Trump.

Milei na convenção (2)
Presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção de Flávio Bolsonaro - Foto: PL / Divulgação

Nos últimos quatro meses, o Brasil negou a entrada de três representantes do governo norte-americano. No sábado, foram impedidos de ingressar no País os oficiais do Departamento de Estado Riley Barnes e Samuel Samson. Em março, o governo já havia revogado o visto de Darrien Beattie, conselheiro de Trump, ex-redator da Casa Branca e aliado do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Segundo o Itamaraty, os representantes americanos informaram que fariam viagens relacionadas a debates sobre “liberdade de expressão”. A diplomacia brasileira, porém, avaliou que esse argumento não refletia os objetivos reais das visitas.

Interlocutores do presidente Lula também interpretam declarações recentes de Flávio Bolsonaro como uma tentativa de criar questionamentos antecipados sobre o resultado eleitoral. No dia 21, o senador associou as urnas eletrônicas brasileiras aos equipamentos utilizados na Venezuela e produzidos pela empresa Smartmatic.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que o sistema brasileiro não utiliza urnas fabricadas pela empresa, que foi alvo de acusações relacionadas ao processo eleitoral venezuelano pelo governo dos Estados Unidos. Após a repercussão, Flávio negou ter questionado a segurança das eleições brasileiras e afirmou que apenas defendeu a presença de observadores internacionais.

Um auxiliar próximo de Lula afirmou à publicação original que Trump, Milei e Flávio Bolsonaro estariam alinhados em uma estratégia para ampliar a atuação de grupos de disseminação de conteúdo político nas redes sociais. O Planalto interpreta as manifestações do presidente argentino como parte desse movimento, especialmente diante de críticas ao sistema eleitoral brasileiro.

Reservadamente, ministros avaliam que Trump teria interesse no retorno da família Bolsonaro ao comando do País como forma de ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina. Na mesma avaliação, Milei teria papel relevante nessa articulação regional.

O governo brasileiro também inclui nesse cenário medidas como o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, críticas ao Pix e a indicação de Daniel Perez para a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Perez é aliado de Marco Rubio e ligado ao movimento Maga.

“Trump assumiu o governo há um ano e meio. Por que só agora decidiu mandar um embaixador para o Brasil?”, questionou um diplomata ouvido sob reserva.

Milei, por sua vez, ampliou as críticas ao governo brasileiro durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro. No evento, o presidente argentino fez ataques diretos a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Posteriormente, Milei acusou Lula de participar, junto ao México e ao Partido Democrata dos Estados Unidos, de uma suposta campanha contra a Argentina durante a Copa do Mundo, financiada com recursos públicos. O presidente argentino não apresentou provas da acusação.

O episódio também foi comparado à postura adotada por Jair Bolsonaro ao questionar o sistema eleitoral brasileiro. O ex-presidente, porém, não apresentou comprovação de fraude nas urnas eletrônicas, sistema pelo qual ele e seus filhos foram eleitos em diferentes disputas antes de 2022.