A derrota da Inglaterra por 2 a 1 para a Argentina na semifinal da Copa do Mundo de 2026 repercutiu além das análises sobre o desempenho da equipe comandada por Thomas Tuchel. No dia seguinte à eliminação, o jornal britânico The Telegraph publicou uma reportagem listando 31 supostos “truques sujos” utilizados pelos argentinos durante a partida, classificando os sul-americanos como “mestres das artes obscuras” (“masters of the dark arts”).
O levantamento apresenta, em ordem cronológica, uma série de lances considerados pelo periódico como tentativas de desestabilizar emocionalmente os ingleses. A relação inclui faltas táticas, chegadas atrasadas, provocações, disputas sem a bola, atrasos na reposição do jogo e pedidos de expulsão de adversários, em uma leitura de que a Argentina utilizou recursos além da técnica para conquistar a classificação.

Entre os primeiros episódios citados estão uma entrada de Alexis Mac Allister sobre Elliot Anderson logo no minuto inicial, um empurrão de Leandro Paredes em Jude Bellingham e sucessivas faltas de Enzo Fernández e Giuliano Simeone sobre jogadores ingleses. O jornal também menciona bloqueios ao goleiro Jordan Pickford em cobranças de escanteio e um lance em que integrantes do banco argentino teriam lançado uma bola ao gramado para retardar uma cobrança lateral da Inglaterra.
A publicação estendeu as críticas até mesmo a Lionel Messi. O camisa 10 foi citado por protestar com a arbitragem, pressionar decisões do árbitro Ismail Elfath e participar das reclamações para que Harry Kane fosse advertido ou expulso após uma falta cometida por Elliot Anderson. O jornal argumenta que a postura dos argentinos fazia parte de uma estratégia para influenciar a condução da partida.
A reportagem também questiona alguns dribles e movimentos de Messi, interpretando-os como parte do chamado “jogo psicológico” exercido pela seleção argentina durante o confronto. Para o veículo britânico, o comportamento coletivo da equipe contribuiu para tirar a Inglaterra do controle emocional ao longo da semifinal.
A repercussão ocorre após uma partida marcada por forte intensidade física. A Inglaterra abriu o placar com Anthony Gordon, aos 10 minutos do segundo tempo, mas a Argentina reagiu na reta final. Enzo Fernández empatou aos 40 minutos da etapa complementar e Lautaro Martínez, após assistência de Messi, marcou o gol da vitória nos acréscimos, garantindo a classificação para a final contra a Espanha.
Além das críticas ao comportamento argentino, parte da imprensa inglesa concentrou as análises na postura adotada pela própria seleção. A decisão de Thomas Tuchel de recuar a equipe após abrir o placar foi alvo de questionamentos de ex-jogadores e comentaristas, que atribuíram à estratégia excessivamente defensiva parte da responsabilidade pela virada sofrida.
Na Argentina, a publicação britânica foi recebida com ironia e interpretada como reflexo da frustração pela eliminação. Veículos argentinos classificaram o levantamento como uma reação à derrota e destacaram que muitos dos lances listados correspondem a disputas comuns em partidas de alta intensidade, reforçando a histórica rivalidade entre as duas seleções, uma das mais tradicionais do futebol mundial.