O setor supermercadista do Rio Grande do Norte colocou no centro do debate temas que devem influenciar a operação das empresas nos próximos anos, como a proposta de mudança na jornada de trabalho, a reforma tributária, o uso de inteligência artificial e a transformação do comportamento do consumidor. As discussões marcaram a abertura da quarta edição do Abras em Ação nas Estaduais, realizada nesta terça-feira 14, em Natal, reunindo cerca de 400 supermercadistas, executivos, gestores, fornecedores e representantes da indústria.
Promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em parceria com a Associação de Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), o evento integra uma agenda nacional voltada à disseminação de boas práticas e à discussão dos principais temas que impactam o varejo alimentar. A programação seguiu nesta quarta-feira 15, com uma rodada de negócios entre supermercados, distribuidores e indústrias.

Segundo o presidente da Assurn, Gilvan Mikelyson, a iniciativa busca ampliar o acesso dos empresários locais às discussões que tradicionalmente ocorrem nos principais centros econômicos do País. “Hoje é um dia de troca, para fazer conexões entre fornecedores e os lojistas, mas também para trazer bastante conhecimento para lideranças que participam da nossa comunidade supermercadista.”
De acordo com o dirigente, os desafios enfrentados pelas empresas potiguares são semelhantes aos observados no restante do País, o que reforça a importância de aproximar o setor das discussões nacionais sobre competitividade, inovação e ambiente regulatório.
O vice-presidente da Abras, Marcio Milan, afirmou que a programação contempla temas voltados ao ganho de eficiência operacional, às mudanças no perfil do consumidor e à incorporação de novas tecnologias na gestão das empresas.
“Estamos trazendo temas que melhoram a operação da loja, temas que mostram a mudança do consumidor e temas relacionados à inteligência artificial, à tecnologia e temas atuais que a Abras está discutindo em Brasília.”
Entre os assuntos debatidos está a recente regulamentação que autoriza a instalação de farmácias e drogarias em supermercados, além da proposta de alteração da jornada de trabalho, com a substituição da escala 6×1 por modelos como a 5×2, atualmente em discussão no Congresso Nacional.
Para Milan, o setor defende que qualquer mudança ocorra de forma gradual, permitindo adaptação das empresas. “Nos preocupa bastante a forma que ele está sendo discutido no Congresso Nacional. É uma discussão técnica que precisa existir e precisa ser discutida fora do ambiente político. Nossa proposta é que, se tiver alguma alteração, que seja feita em um período que as empresas possam se adaptar.”
A gerente administrativa da Rede Mais, Marina Leiros, afirmou que as empresas acompanham a tramitação da proposta enquanto avaliam seus impactos sobre custos, operação e emprego. “Todo o setor está tentando entender como vai fazer isso funcionar nas lojas sem que traga prejuízo para o cliente, sem que traga prejuízo financeiro para a empresa, e que a gente consiga atender o trabalhador.”
Segundo ela, a principal preocupação é evitar que eventuais mudanças elevem os custos das empresas e afetem o consumidor. “O mais importante é que o impacto não vá para o preço do alimento, nem seja um impacto negativo para a geração de emprego e para a manutenção e sobrevivência das empresas, principalmente as menores.”
O avanço da tecnologia também esteve entre os principais temas do encontro. O setor vem ampliando investimentos em inteligência artificial, automação, análise de dados e ferramentas digitais para atender consumidores que buscam maior praticidade, rapidez e personalização nas compras.
Para o CEO da Megamais Atacarejo, Eider Medeiros, essas transformações já alcançam empresas instaladas fora dos grandes centros urbanos. “O cliente do interior é o cliente que tem a mesma informação de São Paulo e da capital. Nós do interior estamos buscando essa inovação.”
Segundo o empresário, segmentos como produtos para animais de estimação, alimentação saudável e novas categorias de conveniência vêm registrando crescimento também no interior do Rio Grande do Norte, acompanhando mudanças observadas nos grandes mercados consumidores.
Além dos debates técnicos, o encontro aposta na geração de negócios. A rodada prevista para o segundo dia busca aproximar redes supermercadistas de fornecedores e indústrias locais, fortalecendo a cadeia de abastecimento e ampliando oportunidades comerciais no Estado. Para o setor, a combinação entre inovação, eficiência operacional e adaptação às mudanças regulatórias será determinante para sustentar o crescimento do varejo alimentar nos próximos anos.