Jogada de Risco, série idealizada e protagonizada por Cauã Reymond, estreou no Globoplay com uma abordagem explícita dos bastidores do futebol. Com cenas de sexo, nudez frontal, consumo de drogas e conflitos relacionados às casas de apostas, a produção ganhou repercussão nas redes sociais e chegou aos assuntos mais comentados do X, antigo Twitter.
A trama recebe dois novos episódios às quintas-feiras e integra a estratégia do Globoplay de concentrar produções mais ousadas da Globo, como Vermelho Sangue e Guerreiros do Sol. Reymond define a nova série como um “proibidão do futebol”, por explorar aspectos pouco glamorosos do esporte associado à paixão nacional e à ascensão social.

Entre as sequências que viralizaram está uma relação sexual entre a garota de programa Daniele, interpretada por Bruna Griphao, e o jogador Luan, vivido por Juan Paiva, com o uso de uma cinta peniana — ideia sugerida pelo próprio Reymond. Em outra cena, Breno Ferreira, intérprete do jogador Geraldo, aparece nu de frente após tomar banho no vestiário. O ator também está na novela Quem Ama Cuida como Cléber, advogado e sócio de Pedro, personagem de Chay Suede.
As cenas explícitas estão inseridas em uma narrativa sobre poder, pressão por resultados, desgaste físico e controle da imagem dos atletas por torcedores, empresários e investidores. Na série, sexo e drogas aparecem como formas de escape para jogadores submetidos a cobranças constantes.
“Uma boa série não pode ter medo de tocar nos temas a que ela se propõe. Seria dar um tiro no nosso pé”, afirma Lucas Paraizo, supervisor de roteiro.
Reymond interpreta Maurício, ex-jogador que se tornou agente de Luan, Geraldo e outros jovens atletas do Atlântico, clube fictício apresentado como um dos maiores do Rio de Janeiro. Sem ter alcançado o sucesso esperado dentro de campo, ele projeta parte de suas ambições na nova geração e tenta proteger os clientes de situações que incluem overdose e tiroteio.
O personagem também mantém uma relação difícil com o pai, que foi seu empresário. Maurício procura oferecer aos jovens jogadores a atenção que não recebeu durante a própria carreira. Segundo Reymond, as histórias foram inspiradas em relatos reais colhidos em conversas com atletas, treinadores, técnicos, empresários e agentes durante a pesquisa para a produção.
Leticia Colin interpreta Rita, ex-garota de programa que administra um esquema de prostituição e agencia Daniele. Os jogadores do Atlântico estão entre seus clientes. De acordo com a direção, a intenção foi assegurar protagonismo às mulheres dentro de um ambiente predominantemente masculino.
“O futebol é um meio muito masculino e machista. Houve a preocupação de criar personagens femininas relevantes, poderosas, ascendentes na história, com subjetividades”, diz Bruno Safadi, diretor dos episódios.
A série também discute a homofobia por meio de Geraldo, jogador que esconde ser gay por temer reações dos torcedores, dos colegas de equipe e de recrutadores de outros clubes. O arco se soma às histórias de Rita e Daniele no questionamento do modelo de masculinidade valorizado no futebol.
Outro tema previsto para os próximos episódios é o impacto das casas de apostas. Reymond já fez publicidade para a Bateubet, mas cancelou o contrato em maio do ano passado depois de observar os efeitos do vício em jogos.
“Já rompi, e acho que esse [o impacto das bets] é um assunto extremamente contemporâneo, muito questionado ao longo dessa Copa”, afirma. “Descobri muita coisa sobre como funciona essa engrenagem. Como artista, acho importante entrar em assuntos que geram reflexão, e não só entretenimento.”
A estreia ocorre meses depois de Reymond enfrentar críticas nas redes sociais. Bella Campos, com quem contracenou em Vale Tudo, relatou comentários inadequados do ator durante as gravações e afirmou não ter sido ouvida pela direção da Globo na ocasião.
Ao comentar a exposição pública, Reymond afirmou: “Me sinto um artista crescendo aos olhos do público já há mais de duas décadas”. O ator acrescentou: “Tenho vocação e acho que tenho consistência no meu desejo de crescer como profissional, como artista e como pessoa. Cai, levanta. Errou, pede desculpas.”