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Guerra

Irã apreende navios no Estreito de Ormuz

Ação da Guarda Revolucionária amplia tensão com EUA e Israel em rota estratégica para o petróleo global
Por O Correio de Hoje
23/04/2026 | 14:29

O Irã anunciou a apreensão de duas embarcações no Estreito de Ormuz, elevando a tensão em uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Segundo a Guarda Revolucionária, os navios MSC Francesca e Epaminodes foram interceptados por operarem sem autorização e por supostamente adulterarem sistemas de navegação, sendo escoltados até a costa iraniana.

A ação ocorre após relatos de que ao menos três embarcações teriam sido alvo de disparos na região. Além dos dois navios apreendidos, um terceiro, o Euphoria, de propriedade grega, teria sido atingido e estaria encalhado, conforme informações divulgadas por veículos iranianos. Autoridades iranianas também alegaram, sem apresentar provas, que uma das embarcações teria ligação com Israel.

Irã soldado
Incidente envolvendo embarcações intensifica crise no Golfo Pérsico e amplia riscos para o mercado internacional de energia Foto: Reprodução

O episódio intensifica o cenário de instabilidade no Golfo Pérsico, em meio a uma trégua considerada frágil no conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Na véspera, o presidente Donald Trump anunciou a extensão por prazo indeterminado do cessar-fogo entre as partes, condicionando sua manutenção à apresentação de uma proposta conjunta para encerrar a guerra iniciada em fevereiro.

O governo iraniano, por sua vez, reagiu com ceticismo à घोषणा e criticou a continuidade do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos, classificando a medida como equivalente a um ato de guerra. Teerã indicou que poderá responder militarmente caso as restrições à sua navegação sejam mantidas.

O Estreito de Ormuz concentra cerca de um quinto do fluxo global de petróleo, o que torna qualquer incidente na região relevante para os mercados internacionais de energia. A escalada recente aumenta o risco de interrupções no fornecimento e tende a pressionar os preços do petróleo, com reflexos diretos sobre inflação e custos logísticos em economias dependentes de importações energéticas.

Analistas avaliam que, mesmo com a manutenção formal do cessar-fogo, episódios como a apreensão de navios evidenciam a fragilidade do acordo e mantêm elevado o nível de incerteza geopolítica. O desfecho dependerá da evolução das negociações diplomáticas e da capacidade das potências envolvidas em evitar novos confrontos na região.