A baixa participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no estado tem aberto espaço para a aproximação do empresário Pablo Marçal (União), que passou a acompanhar o senador em agendas e articulações políticas. Dois meses após Flávio declarar que gostaria de contar com o governador “de corpo e alma” na disputa, a presença conjunta dos dois em São Paulo segue limitada.
Um evento que marcaria o lançamento da campanha no estado chegou a ser planejado, mas acabou adiado sem nova data definida, segundo integrantes das equipes. A proposta era realizar um ato nos moldes do lançamento da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março. A agenda, no entanto, foi postergada após uma viagem de Flávio aos Estados Unidos, onde participou de uma conferência internacional ligada à direita.

Até o momento, o principal gesto público de apoio de Tarcísio ocorreu em fevereiro, em evento na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), precedido por recepção no Palácio dos Bandeirantes. Na ocasião, o governador anunciou que coordenaria a campanha do aliado no estado. Desde então, sua participação tem sido discreta, com ausência em agendas voltadas à aproximação de Flávio com investidores da Faria Lima e lideranças religiosas. A única exceção foi a presença em um jantar reservado na residência do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, no início de abril.
Nesse intervalo, Pablo Marçal passou a ocupar espaço ao lado do senador. Terceiro colocado na eleição municipal de São Paulo em 2024, o empresário — que foi adversário político do grupo apoiado por Tarcísio, alinhado à reeleição do prefeito Ricardo Nunes — aproximou-se de Flávio por meio do ex-secretário municipal Filipe Sabará. Os dois já se reuniram ao menos duas vezes, com foco em estratégias digitais e na tentativa de consolidar apoio político.
Marçal, atualmente filiado ao União Brasil, está inelegível até 2032 após condenação por irregularidades eleitorais, incluindo captação e gastos ilícitos e abuso de poder econômico. Ainda assim, sua presença na pré-campanha indica tentativa de ampliar a influência no ambiente digital e fortalecer a comunicação do senador.
Aliados de Tarcísio minimizam a ausência de agendas conjuntas e afirmam que Flávio tem priorizado, neste momento, a construção de palanques em outros estados. O próprio governador teria indicado que seu engajamento mais intenso ocorrerá em momento mais próximo ao período oficial da campanha.
No campo político paulista, as articulações enfrentam entraves. A definição da chapa majoritária no estado segue travada, especialmente pela disputa em torno da segunda vaga ao Senado. O nome defendido por Tarcísio é o do presidente da Alesp, André do Prado, que busca reduzir resistências internas, incluindo junto ao deputado Eduardo Bolsonaro, com apoio do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.