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Saúde

Reajuste de planos de saúde desacelera, mas ainda pesa

Reajustes de planos coletivos desaceleram, mas seguem acima da inflação e pressionam custos de usuários
Por O Correio de Hoje
23/04/2026 | 15:22

Os reajustes dos planos de saúde coletivos devem apresentar desaceleração neste ano, com aumentos estimados entre 9% e 10%. Apesar da redução em relação aos anos anteriores, o índice ainda representa cerca do dobro da inflação oficial prevista, mantendo pressão sobre o orçamento das famílias e empresas que contratam esse tipo de serviço.


A queda no ritmo dos reajustes ocorre após uma sequência de aumentos expressivos. Em 2023 e 2024, os percentuais chegaram a dois dígitos elevados, refletindo perdas acumuladas pelas operadoras durante a pandemia, período em que houve redução no uso dos serviços e queda nas receitas. Com a retomada da demanda por atendimentos médicos, exames e procedimentos, os custos voltaram a subir.

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Mesmo com alta menor, mudanças como coparticipação e restrições de reembolso impactam o uso dos planos de saúde Foto: FreePik


Mesmo com a desaceleração, especialistas apontam que o cenário ainda exige ajustes por parte das operadoras. Entre as principais mudanças adotadas está o aumento da coparticipação — modelo em que o usuário paga uma parte dos procedimentos realizados — e a redução dos reembolsos em determinados serviços. A estratégia busca dividir custos com os beneficiários e conter despesas assistenciais.


Além disso, as empresas têm adotado critérios mais rigorosos para autorizações e reembolsos, ampliando o controle sobre a utilização dos planos. A tendência também inclui incentivo ao uso de redes credenciadas e limitação de despesas fora desses sistemas, o que impacta diretamente a experiência dos usuários.


Dados do setor indicam que a inflação médica continua acima da inflação geral da economia. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registra variações mais moderadas, os custos com saúde seguem elevados, impulsionados por fatores como novas tecnologias, medicamentos de alto custo e maior demanda por serviços.


Para analistas, o movimento de desaceleração dos reajustes reflete uma tentativa de equilíbrio após anos de instabilidade. Ainda assim, o impacto financeiro permanece significativo, especialmente para empresas que oferecem planos coletivos a funcionários.


“No final, esse equilíbrio sempre se traduz em redução de qualidade, seja da rede, do reembolso, enfim, para chegar a um valor que se possa pagar”, afirma Marcio Iosi, vice-presidente de Benefícios Corporativos da Aon Brasil.


A avaliação é de que, mesmo com reajustes menores, mudanças estruturais no setor devem continuar. A expectativa é de que as operadoras mantenham estratégias de controle de custos, o que pode incluir novas regras contratuais e maior participação dos usuários nas despesas.


Com esse cenário, o consumidor tende a enfrentar não apenas aumentos, mas também mudanças na forma de utilização dos serviços. O desafio, segundo especialistas, será equilibrar sustentabilidade financeira das operadoras com a qualidade do atendimento oferecido aos beneficiários.