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Coluna

Editorial: Show de incoerência

Confira a coluna desta quinta-feira, 28
Agora RN
28/07/2022 | 07:54

Às vésperas do início da propaganda eleitoral, o Rio Grande do Norte assiste a um verdadeiro show de incoerência de parte da classe política do Estado. Um verdadeiro espetáculo de incongruência política.

Sem nenhum pudor, personagens relevantes do processo eleitoral, como prefeitos e deputados, adotam posições dúbias que causam muita estranheza ao eleitor, especialmente num ambiente tão polarizado como o vivenciado atualmente no País.

Editorial: Show de incoerência
Foto: Reprodução

Para dar um exemplo dessa incoerência e até falta de lógica nos apoios, basta observar que, pelo Estado afora, tem ficado popular a seguinte chapa: a petista Fátima Bezerra para o governo e o bolsonarista Rogério Marinho para o Senado.

É bem verdade que o eleitor tem liberdade para votar em quem quiser e que as eleições para senador e governador são diferentes, mas alguém acha realmente que está tudo normal? Como pode uma liderança política estar, na mesma eleição, em palanques que difundem ideais tão discrepantes?

Que o eleitor médio que não consome tanta informação possa fazer esse tipo de opção incomum, é compreensível. Agora, o que explica alguém influente no processo eleitoral formar uma chapa tão troncha? Rogério diz combater tudo o que o PT defende. Já o PT quer desfazer tudo que Rogério construiu. Como se pode optar pelos dois?

Seguindo a trilha do absurdo, tem prefeito que ainda ousa dizer que está em dúvida na eleição presidencial. Não sabe se votará em Lula ou Jair Bolsonaro, como se estivéssemos falando de dois candidatos que trafegam no mesmo espectro ideológico.

Isso sem falar em aberrações presentes até mesmo dentro de um mesmo partido. Há legendas que abrigam pessoas que pensam completamente diferente. E ainda espalham essa informação com orgulho, como se isso depusesse a favor de uma alegada democracia interna, quando na verdade essa divisão só expõe que a sigla na verdade não tem alinhamento programático é nenhum.

Como o eleitor observa essa salada? Será que interpreta como um desprendimento ou como pura conveniência, sem qualquer autenticidade?

O que se assiste no Rio Grande do Norte é a proliferação de apoios por conveniência, sem qualquer afinidade real de ideias. O apoio é dado àquele que oferece mais vantagens ou àquele que tem mais chances de vitória.

Este AGORA RN não criminaliza a atividade política nem condena a ocupação de espaços na política. Mas a boa política se exerce com ideais, com uma coerência mínima.

O eleitor espera da classe política coerência.

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