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Coluna

Editorial: As dificuldades de Rogério Marinho

Confira a coluna desta quarta-feira, 27
Agora RN
27/07/2022 | 07:34

Rogério Marinho é quase uma unanimidade entre a elite econômica do Estado. Entre os nomes postos para a disputa do Senado nas próximas eleições, não há nome mais palatável que o dele para o chamado setor produtivo.

Lideranças empresariais e representantes de entidades classistas endossam o nome de Rogério aos quatro ventos, o vendendo como um gestor qualificado e preparado. A ideia sustentada é a de que, com o poder na mão, Rogério seria um agente de transformação da vida das pessoas – na ótica deles, para melhor, é claro.

Rogerio Marinho 98
Foto: José Aldenir/Agora RN

Se já tinha o nome aprovado antes, nos últimos anos Rogério Marinho terminou de conquistar o meio empresarial ao ter forte protagonismo na aprovação das reformas trabalhista e previdenciária – inicialmente como deputado federal e, depois, como secretário do governo. As duas medidas eram defendidas há tempos por lideranças empresariais do País. Durante o governo Jair Bolsonaro, teve uma gestão aprovada pela elite, ao tocar importantes obras de infraestrutura a partir do Ministério do Desenvolvimento Regional.

Apesar disso, durante sua trajetória política, Rogério Marinho também acumulou muitos problemas. Em contraste com o oba-oba da classe empresarial, não foram poucos os questionamentos feitos a gestões de Rogério Marinho por todos os lugares por onde passou, seja como vereador de Natal, presidente da Câmara Municipal, deputado federal, secretário ou ministro.

Entre os questionamentos, há ações judiciais contestando a honestidade de Rogério Marinho. Não é de hoje, aliás, que ele dedica parte substancial das suas receitas para bancar despesas com escritórios de advocacia com o objetivo de se defender na Justiça em processos que tratam da possível malversação de recursos públicos.

Um dos casos mais emblemáticos é a denúncia do Ministério Público de que Rogério agiu para nomear servidores fantasmas quando era presidente da Câmara de Natal. Rogério é acusado de peculato.

Mais recentemente, já como ministro de Bolsonaro, Rogério viu seu nome no meio do escândalo do chamado orçamento secreto.

Analistas apontam o orçamento secreto como um dos maiores e mais absurdos esquemas de favorecimento de aliados no Congresso. Para completar, há suspeitas de superfaturamento e mal uso desses recursos – que vão para redutos eleitorais dos deputados. Até a Codevasf, estatal ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, entrou na roda.

Por onde Rogério passa deixa um rastro de questionamentos, coisas duvidosas e situações embaraçosas. É este homem que pretende ser senador pelo Rio Grande do Norte, com apoio da elite empresarial do Estado. Se eleito, quais as próximas situações embaraçosas nas quais ele será envolvido?

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