Ao anunciar que será candidato ao Governo do Estado, Styvenson Valentim surpreendeu àqueles que apontavam no pantim do senador uma suposta ausência de estratégia e de método. De uma vez só, Styvenson mostrou não só que tem estratégia, mas também que, até agora, ela foi bem sucedida.
Ao revelar que já tinha há algum tempo a decisão de ser candidato, deixou claro que agiu estrategicamente, e de forma premeditada, para atrair atenção para sua convenção partidária. Deu certo.

No pátio da Escola Maria Ilka de Moura, a simbólica unidade escolar que foi adotada por Styvenson e transformada em cívico-militar, o senador chegou a brincar: “Não sei por que vocês ainda tiveram dúvidas. Vocês achavam que eu ia fugir? Que eu ia ficar com medo?”.
A corrida eleitoral para o Governo do Estado ganha um personagem e tanto. Afinal, Styvenson tem um jeito próprio de se comunicar e de fazer política. Uma estratégia singular, só dele.
Resta saber o que será do processo eleitoral com a presença do capitão. O Rio Grande do Norte está diante de uma grande incógnita. O favoritismo da governadora Fátima Bezerra apontado até agora nas pesquisas está ameaçado? Um 2º turno está garantido? A campanha está no ar. Já tivemos inclusive o primeiro debate entre os candidatos, promovido pela Band.
A propósito, o AGORA RN divulgará nesta quinta-feira 11, em parceria com o Instituto Exatus, a primeira pesquisa de intenções de votos realizada no Rio Grande do Norte após a confirmação da candidatura de Styvenson.
Uma parcela expressiva da população rejeita Fátima Bezerra. E ela vinha contando, até agora, com Lula como cabo eleitoral para impulsionar sua candidatura à reeleição. Mas, e com Styvenson no páreo? Vale lembrar que o capitão já disse que não está em nenhum dos lados da polarização da disputa presidencial. Rejeita Lula e rejeita Jair Bolsonaro.
Além de se aproximar de Fátima, Styvenson tem desbancado com folga, mesmo antes de confirmar a candidatura, o candidato das oposições Fábio Dantas, que tem como companheiro de chapa Rogério Marinho, candidato ao Senado e o principal nome de Bolsonaro no RN.
Styvenson é uma incógnita e uma figura curiosa deste processo eleitoral. Vai de encontro a vários pressupostos da vida política. Já avisou que não usará fundo eleitoral nem sequer tempo de rádio e TV. Diz antecipadamente, ainda, que, se for eleito, vai cortar repasses para os demais poderes, afrontando o establishment.
No debate, mostrou estar conectado com a linguagem que o povo quer e entende. Citou seu trabalho como parlamentar, com a destinação de emendas para todo o Estado. Age como fiscal da honestidade.
O fato é que o senador embaralhou a disputa eleitoral. As próximas pesquisas serão um termômetro. Uma quase unanimidade é que um segundo turno já não é mais distante. E um resultado inesperado também não está fora do horizonte.