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Época de pandemia
Dono da Mercatto em Natal se prepara para sua quarta quarentena
Com residência fixa nos EUA, Adelino Marinho ainda perde tempo valioso no México durante duas semanas antes de conseguir rever a família no Sul da Flórida. Ele acredita que a normalidade no Brasil começará a se estabelecer a partir de agosto próximo, quando começar a exportação de vacina de países que tiverem estoque em excesso
Marcelo Hollanda
25/05/2021 | 08:38

Em duas semanas, o empresário Adelino Marinho, dono da padaria Mercatto e durante uma década detentor de uma franquia da Mc Donalds em Natal, cumprirá o mesmo ritual que se submete desde o começo da pandemia: pegará um voo para o México, onde passará 15 dias de quarentena, até obter o direito de entrar nos EUA, para visitar suas filhas que estudam no Sul da Flórida.

É assim, por enquanto, para quem não é cidadão naturalizado norte-americano, mas, no caso de Adelino, passava até o começo da crise sanitária dois terços de seu tempo naquele país e um terço no Brasil.

“Hoje, é o contrário”, diz o empresário de 54 anos, que já tomou as duas vacinas da Pfizer e tem duas filhas adolescentes que moram nos EUA e que também já estão imunizadas.

Mesmo assim, para ele, mesmo que seu negócio no Brasil fature até esse momento até 30% a menos do que antes da pandemia, o pior momento da pandemia já passou, a despeito dos desafios que ainda estão pela frente no Brasil.

Mesmo do ponto de vista da elite brasileira, que inflou os lucros do turismo de vacina paras os EUA, onde o business da imunização já é uma realidade em muitos estados, a preocupação com uma terceira onda do novo coronavírus requer cautela.

Para Marinho, um empresário de origem portuguesa e com muitas conexões internacionais, embora o Brasil esteja atrasado na vacinação em relação a alguns países mais desenvolvidos, ele ainda tem companhias ilustres como o Japão que tem um índice vacinal modesto de 10% e da Alemanha, onde os duros lockdowns abalaram a imagem na ex-primeira ministra Ângela Merkel.

“Na verdade, temos um país emocional e economicamente abalado, onde as desigualdades foram ampliadas com o desemprego, mas é algo que teremos que lidar com muita resiliência”, admite.

Na opinião de Marinho, a lentidão brasileira em adquirir vacinas é um dado importante dessa desvantagem, mas os investimentos do governo americano em seus laboratórios para a produção em massa de imunizantes, numa época em que ainda era incerto se elas conseguiram, pesou decisivamente na atual posição confortável dos EUA.

“Mesmo o Canadá, que investiu na compra de vacinas, ficou refém de uma política dos EUA, que proibia a exportação de vacinas a despeito de toda a proatividade daquele país em relação à corrida por imunizantes”, avalia.

Às vésperas de passar por sua quarta quarentena em pouco mais de um ano para poder rever a família nos EUA, Marinho acredita que o pesadelo para os brasileiros pode estar chegando ao fim com o avanço da vacinação, mesmo que aos trancos e barrancos.

“Hoje, é comprovado que na medida em que os idosos conquistam sua segunda vacina no Brasil, a taxa de internações se desloca para as faixas etárias mais jovens, justamente as mais difíceis de controlar depois de um ano de pandemia pelos hormônios evolvidos”, acredita.

Para o empresário, a falta de leitos que se verifica atualmente no Brasil não é tanto em função de uma terceira onda do coronavírus, pelo menos nesse momento, e sim da oferta de leitos de UTI que caíram drasticamente com o fim dos hospitais de campanha.

“Isso prova que a vacinação foi e continua a ser a saída e que a obsessão por ela, mesmo com a menor eficácia da Coronavac, responsável hoje pela imunização de 80% da população brasileira, deve continuar”, acrescenta.

Para Adelino Marinho, mesmo em países como o Chile, que já vacinou 43% de sua população 100% com Coronavac, a recuperação econômica tem sido mais lenta em relação a outros países fora do continente.

E no Brasil não vai ser diferente, já que brasileiros vacinados com a Coronavac ainda não podem entrar nos EUA, acentua ele. “Lá está mantido o teste PCR com antecedência e imunização com as vacinas da Moderna, Pfizer e Johnson”.

Sobre o turismo da vacina, que hoje já figura na propaganda da cidade de Nova Iorque, o empresário não tem dúvida: “Essa é a razão pela qual já funciona fortemente em várias cidades do país, como Nova Iorque e Miami, o turismo de vacina, onde a Jansen, a vacina da Johnson & Johnson de uma única dose, está virando o jogo na geopolítica da vacina”.

O empresário aposta que a normalidade no Brasil começará a se estabelecer pra valer a partir de agosto, quando começar a exportação massiva de doses de vacina dos países que tiverem estoque em excesso.

“Não há saída nem para os ricos, já que é um problema de consequência econômicas globais que também os atingem”, avalia.

Países onde o turismo da vacina já começou

Segundo um recente levantamento da CNN, os Estados Unidos lideram esse processo. Lá, vacinação está sob responsabilidade de cada estado e em Nova Iorque a prefeitura local já criou de vacinação móvel em pontos turísticos, como Central Park, Times Square e Brooklyn Bridge, onde a vacina da Janssen, de uma única dose encabeça o cardápio.

Os imunizantes para o turista vêm acompanhados de ingressos para jogos de beisebol e museus. Mesmo assim, brasileiros devem fazer quarentena de 14 dias em locais como o México ou Caribepara então poder entrar no país.

San Marino
Localizada dentro da Itália, a República de San Marino anunciou que passaria a disponibilizar a vacina russa Sputnik V a visitantes a partir de 17 de maio. A iniciativa integra um programa de turismo de vacinas do país, que possui apenas 34 mil habitantes.

Panamá
O Panamá aceita que pessoas sem residência no país recebam a vacina, inclusive, pessoas com mais de 60 anos e grávidas, sem previsão para a população total. Por lá estão administrando para todos os gostos: Pfizer, Astrazeneca, Coronavac e Sputnik.

Sérvia
Em certas datas, segundo a CNN, o país tem aberto seu calendário de imunização a não cidadãos, o que tem levado igente da Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Montenegro, Bulgária e Albânia a saírem de suas casas em direção ao país dos Balcãs.

Rússia
Por lá, o turista que quiser a Sputnik V, está liberado. Até uma agência de viagens norueguesa, segundo a CNN, se especializou em oferecer pacotes de turismo de vacina. Isso, apesar das fronteiras russas permanecerem fechadas para grande parte do mundo, inclusive os brasileiros.

Ilhas Maldivas
Para entrar lá é necessário apenas apresentar um teste PCR negativo realizado até 72 horas de antecedência para desfrutar as praias e os resorts locais. Só que os brasileiros que quiserem desfrutar terão que viajar antes para Dubai, Abu Dhabi, Doha ou Turquia, já que por aqui não há voos diretos.

Cuba
Lá quem manda é a tal vacina Soberana 2, também à qual os turistas podem ter acesso. Aviso, é por conta e risco deles, já que o imunizante ainda está em fase experimental e a iniciativa não tem data para começar.

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