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Medida

Defesa de ‘Débora do Batom’ recorre ao STF contra suspensão da Lei da Dosimetria

Débora ficou conhecida após pichar a estátua “A Justiça” durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e foi condenada a 14 anos de prisão
Redação
11/05/2026 | 17:01

A defesa da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, apresentou nesta segunda-feira, 11, recurso contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a aplicação da chamada Lei da Dosimetria. Débora ficou conhecida após pichar a estátua “A Justiça” durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e foi condenada a 14 anos de prisão.

No último sábado, 9, Moraes determinou, em decisão individual, a suspensão da aplicação da nova lei em execuções penais relacionadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. O ministro decidiu interromper os efeitos da norma até que o STF analise as ações que questionam sua constitucionalidade.

Defesa da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”. Foto: Reprodução
Defesa da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”. Foto: Reprodução

Os advogados da cabeleireira protocolaram um agravo regimental com pedido de tutela de urgência, instrumento jurídico usado para contestar decisões monocráticas de relatores. Segundo a defesa, a suspensão da lei mantém “restrições de liberdade potencialmente incompatíveis com a atual ordem jurídica”.

No recurso, os advogados pedem a suspensão imediata dos efeitos da decisão de Moraes, a análise do caso pelo plenário do STF e a autorização para progressão de Débora a um regime “menos gravoso”. Também solicitam a revogação de medidas cautelares consideradas “incompatíveis com a nova realidade executória”, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

A defesa ainda requer que uma eventual decisão favorável seja estendida aos demais condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Na última segunda-feira, 4, Alexandre de Moraes já havia rejeitado um pedido da defesa para revisar a pena da cabeleireira com base na Lei da Dosimetria. Na ocasião, o ministro argumentou que a norma ainda não estava em vigor.

A lei foi promulgada na sexta-feira, 8, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após o Congresso derrubar veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto prevê redução de penas para condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito e pode beneficiar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e réus envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

As ações que questionam a constitucionalidade da Lei da Dosimetria foram apresentadas ao STF pela Associação Brasileira de Imprensa e pela federação partidária Psol-Rede.

Após ser escolhido relator dos processos, Moraes solicitou informações ao Congresso Nacional e à Presidência da República, que deverão responder em até cinco dias. Em seguida, os autos serão encaminhados à Advocacia-Geral da União (AGU) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), que terão prazo de três dias cada para manifestação.