A defesa de Laís Gabriela Barbosa da Cunha, de 27 anos, mulher que tentou esfaquear um cabeleireiro dentro de um salão de beleza na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, informou que ela foi diagnosticada, em 2023, com “transtorno psicótico agudo e transitório não especificado”. O caso ocorreu no último dia 5 de maio.
Segundo nota enviada pela defesa à imprensa, Laís precisou interromper recentemente o uso dos medicamentos prescritos para o tratamento psiquiátrico realizado com acompanhamento de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). A interrupção teria ocorrido em razão de um “quadro clínico de hepatite medicamentosa”.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Laís conversava com o cabeleireiro Eduardo Ferrari, que atendia outra cliente no momento da ocorrência. Em seguida, o profissional virou de costas e a mulher retirou uma faca de cozinha da bolsa, tentando golpeá-lo. Ela foi contida por seguranças do estabelecimento.
Em vídeos publicados nas redes sociais, a cliente afirmou ter ficado insatisfeita com o resultado do corte de cabelo. “Vocês conseguem ver na minha franja? Tá parecendo o Cebolinha porque ele cortou todo o meu cabelo. Eu mandei mensagem no WhatsApp e eles ficaram dois dias sem me responder. Aí sabe o que eu fiz? Ofendi ele. Falei: ‘seu viado desgraçado, arruma o meu cabelo’. Ele respondeu na hora”, disse. Segundo ela, teria ocorrido um corte químico, versão negada pelos funcionários do salão.
Em nota divulgada nas redes sociais, Eduardo Ferrari afirmou que Laís realizou o procedimento cerca de 30 dias antes e retornou ao salão alegando insatisfação e pedindo a devolução do valor pago. Segundo o cabeleireiro, após a negativa, a cliente passou a agir de forma agressiva e “de maneira inesperada e desproporcional” tentou golpeá-lo com uma faca. Eduardo sofreu um pequeno corte nas costas.
A defesa de Laís, assinada pelo advogado criminalista Murilo Augusto Maia, afirmou que a cliente está “extremamente abalada com toda a repercussão do caso”. O comunicado diz ainda que ela “jamais pensou em tentar contra a vida de Eduardo” e que carregava a faca por medo, após ter sido vítima de assalto nas proximidades do Terminal Rodoviário da Barra Funda.
Ainda conforme a defesa, Laís mora em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e teria sido tratada “com desprezo e deboche” ao retornar ao salão na capital paulista. O comunicado afirma que ela questionou o resultado do procedimento de mechas no dia 13 de abril, poucos dias após o atendimento realizado em 7 de abril, mas não recebeu resposta.
“No dia 14, inconformada com a falta de resposta, se excedeu nas mensagens de WhatsApp, sendo informada pela equipe do salão que não seria possível dar continuidade ao atendimento por aquele canal, mas que estariam à disposição para entender e solucionar o problema. Portanto, é falsa a afirmação que Laís demorou 30 dias para questionar o procedimento realizado por Eduardo”, informou a defesa.
O caso foi registrado no 91º Distrito Policial como lesão corporal, ameaça e autolesão.