O ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do Estado Álvaro Dias (PL) não descartou a possibilidade de privatizar ou federalizar a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte em uma eventual gestão a partir de 2027. Em coletiva de imprensa durante um evento em Mossoró na última sexta-feira 8, Álvaro, porém, afirmou que as propostas precisam ser analisadas com maior profundidade.
“Federalização, privatização… São questões que precisam ser melhor estudadas, aprofundadas”, afirmou, ao ser questionado por jornalistas. Em seguida, acrescentou: “Temos uma equipe técnica muito boa, que está fazendo um estudo acerca de todas essas propostas”.

Ao citar exemplos, o ex-prefeito mencionou diretamente a Uern e também a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte. Sobre a companhia de saneamento, declarou que uma eventual privatização exigiria investimentos elevados para melhorar os serviços. “Me deram uma estimativa de que precisa o governo investir em torno de R$ 10 bilhões”, disse.
Na sequência, incluiu a universidade no mesmo raciocínio. “Como essa questão da Uern também. Todas essas questões não precisam de uma decisão, de uma definição imediata. Nós vamos aprofundar os estudos para, posteriormente, tomar essa decisão”, afirmou, citando que seu plano de governo está sendo elaborado por um grupo coordenado pela vice-prefeita de Natal, Joanna Guerra (PL).
A fala de Álvaro Dias foi criticada por adversários, especialmente em Mossoró, cidade onde está localizado o campus central da Uern e onde a instituição possui forte peso simbólico e político.
Pré-candidato ao governo pelo União Brasil, o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra fez uma defesa contundente da universidade e classificou a instituição como instrumento de transformação social.
“Não mexa com a Uern. A Uern não é problema, a Uern é solução para o Rio Grande do Norte”, declarou.
Allyson afirmou que a universidade “não está à venda” e acusou os defensores de mudanças no modelo da instituição de desconhecerem sua importância histórica. Ele citou que a Uern já formou mais de 60 mil profissionais e responde pela formação de mais de 80% dos professores que atuam na educação básica dos 167 municípios potiguares. “A educação não está à venda, e o futuro da nossa juventude não está à venda”, afirmou.
O prefeito de Mossoró também citou experiências desenvolvidas em parceria com a universidade, como o programa Jovem do Futuro e o intercâmbio Mossoró para o Mundo, e disse que, se eleito governador, pretende ampliar esse tipo de cooperação. “Repudio e lamento falas assim, sem nenhum tipo de nexo, sem nenhum tipo de conhecimento, mas carregadas de muito preconceito”, declarou.
Também pré-candidato ao governo, o ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier (PT) afirmou que Álvaro tratou a universidade como um problema para o Estado. “Hoje, um dos pré-candidatos de direita, o bolsonarista Álvaro Dias, esteve em Mossoró atacando a nossa Uern, falando que a Uern deveria ser privatizada, federalizada, tratando a Uern como um problema para o nosso Estado”, disse.
Cadu ressaltou que a Uern conquistou autonomia administrativa e financeira durante o governo da governadora Fátima Bezerra e destacou que 80% dos estudantes da instituição são oriundos da rede pública. “São filhos de zeladores, filhos de agricultores, filhos de trabalhadores que estão estudando na nossa Uern, tendo a sua vida transformada”, afirmou.
O petista também criticou, sem citar nomes além de Álvaro, “oportunistas que defendem a Uern só pela ocasião de um ano eleitoral”.
Diante da repercussão negativa, Álvaro Dias divulgou um vídeo nas redes sociais no qual negou ter defendido a federalização da universidade e acusou adversários de distorcer suas declarações. “Em nenhum momento eu falei em federalização da Uern. Isso é mentira, isso é fake news, isso é distorcer a verdade e a realidade do que falamos”, afirmou.
No vídeo, o ex-prefeito classificou o ambiente da pré-campanha como “sórdido” e “sujo”. “Eu nunca vi, em nenhum momento da minha vida, nas várias campanhas ou pré-campanhas de que participei, algo tão sórdido, tão sujo, tão difícil como essa pré-campanha”, declarou.
Álvaro aproveitou a manifestação para convidar os adversários a discutir propostas para o Estado. “Vamos debater o Rio Grande do Norte, vamos apresentar propostas, vamos propor soluções para mudar o quadro dramático que o nosso estado enfrenta. Parem com fake news, com mentiras”, disse.
Uern reage
A reitora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Cicília Maia, afirmou que a instituição será defendida de forma permanente diante de declarações que coloquem em dúvida seu papel no desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Segundo ela, a resposta da universidade deve se basear no trabalho e na apresentação de resultados concretos nas áreas de ensino, pesquisa e extensão.
“Nossa postura primeira é a da defesa permanente da nossa universidade, sempre. Postura de trabalho, apresentação de resultados concretos de desenvolvimento do estado, de apresentar cada vez mais a nossa qualidade institucional e de defender o que nossa comunidade realiza dia a dia seja no ensino, na pesquisa e na extensão”, declarou.
Cicília Maia acrescentou que qualquer projeto ou liderança que se posicione contra a Uern encontrará resistência da comunidade acadêmica e das famílias potiguares que reconhecem a importância da instituição.
“Qualquer pessoa ou projeto que fale contra a Uern, não será aceito por nossa comunidade, assim como pelas milhares de famílias potiguares que sabem o impacto transformador da Uern. Continuaremos defendendo quem defende a Uern. Porque nós somos prova viva da transformação que a educação causa na vida das pessoas. Vamos com coragem, assim como os reitores e reitoras que me antecederam, defendendo o maior patrimônio vivo do povo potiguar, a nossa Uern”, afirmou.
O pró-reitor de Extensão da universidade, Esdras Marchezan, também criticou a possibilidade de federalização da instituição. Segundo ele, esse tipo de proposta teria como consequência retirar do Governo do Estado a responsabilidade pela manutenção da única universidade estadual pública do Rio Grande do Norte.
“Os que agem assim têm um objetivo: desobrigar o Estado do compromisso com a única instituição pública de ensino superior estadual do RN. A Uern resiste há 57 anos. E seguirá assim”, declarou.