O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou nesta terça-feira 2 a articulação de parlamentares pela criação de uma CPI para investigar o Banco Master. Segundo ele, a iniciativa tem caráter político e seria utilizada como instrumento de “palanque eleitoral”.
Durante sessão deliberativa, Alcolumbre afirmou que o caso já é alvo de apurações por diferentes órgãos de controle e fiscalização.

“A Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Justiça brasileira, está todo mundo investigando isso. Não sei quem é o culpado, se é o Banco Central do Brasil, se são as pessoas que fizeram errado, se é a Comissão de Valores Mobiliários, mas está todo mundo investigando isso. Querem abrir mais uma CPI para fazer palanque eleitoral”, declarou.
O senador também reclamou do ambiente político permanente vivido pelo País. Segundo ele, o debate público está excessivamente contaminado pela disputa eleitoral.
“O País está em eleição desde a última eleição” e “ninguém aguenta mais isso no Brasil”, afirmou.
Alcolumbre acrescentou que o Senado deveria concentrar esforços na defesa dos interesses da federação, dos municípios, dos trabalhadores e dos diversos setores econômicos, sem ser pressionado a tomar partido em embates políticos.
O presidente da Casa relembrou ainda as críticas que recebeu por não ter feito a leitura do requerimento da CPI do Banco Master em sessão realizada em 21 de maio. Na ocasião, ele priorizou a votação de dispositivos de um veto presidencial relacionados a municípios inadimplentes com até 65 mil habitantes, pauta que, segundo afirmou, foi apresentada por prefeitos durante a Marcha a Brasília.
“Eu passei quatro horas sendo agredido na sessão do Congresso Nacional, da direita para a esquerda, sobre por que eu não li um requerimento de CPMI do Banco Master”, disse.
Para Alcolumbre, o debate em torno da comissão tem sido alimentado por interesses partidários.
“A abertura da comissão não seria para o Brasil, mas para a direita ou a esquerda”, afirmou.
Segundo ele, o tema vem sendo retroalimentado pelos diferentes grupos políticos porque isso lhes é conveniente.
“Esse negócio está se retroalimentando. Cada um fala para o outro, porque está muito cômodo”, concluiu.