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Conflito

Israel e Líbano retomam negociações de paz em Washington, mas confrontos na fronteira continuam

Quinta rodada de diálogos ocorre nos Estados Unidos enquanto impasse sobre o desarmamento do Hezbollah segue como principal obstáculo para um acordo duradouro
Por O Correio de Hoje
03/06/2026 | 13:40

Israel e Líbano retomaram nesta semana as negociações de paz em Washington, em uma tentativa de transformar a recente trégua mediada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em avanços diplomáticos mais duradouros. Apesar da reabertura do diálogo, os confrontos entre as forças israelenses e o Hezbollah continuaram ao longo da fronteira, evidenciando a fragilidade do cessar-fogo.

As conversas ocorrem no Departamento de Estado americano e representam a quinta rodada de negociações entre Israel e o governo libanês desde abril. Os encontros estão divididos em dois dias e fazem parte de um processo diplomático iniciado após a intensificação das tensões na região.

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Israel e Líbano retomam diálogo nos EUA - Foto: Reprodução

A atual etapa é dedicada às questões políticas. Em maio, durante a terceira rodada de negociações, as partes concordaram em separar as discussões em dois eixos distintos: um voltado para temas de segurança e outro destinado às questões políticas relacionadas ao futuro das relações bilaterais.

Enquanto diplomatas discutiam alternativas para reduzir as tensões, a realidade no terreno permaneceu inalterada. O Hezbollah continuou promovendo ataques contra posições israelenses, enquanto Israel respondeu com bombardeios direcionados à milícia xiita apoiada pelo Irã.

Apesar do cenário de instabilidade, autoridades libanesas afirmam que Beirute continua comprometida com as negociações. Segundo um diplomata do país ouvido pela agência Associated Press sob condição de anonimato, o governo libanês mantém o objetivo de alcançar um acordo que encerre o conflito.

A posição oficial do Líbano prevê o desarmamento do Hezbollah, mas condiciona esse processo ao fim dos ataques israelenses e à retirada completa das tropas de Israel das áreas em disputa.

Do lado israelense, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sustenta que o Líbano não adotou medidas concretas para reduzir o poder militar da milícia. Israel exige que o Hezbollah entregue suas armas e deixe de atuar como força armada independente.

A questão é considerada um dos principais obstáculos para qualquer acordo de longo prazo. O Hezbollah rejeita negociações diretas com Israel e mantém forte alinhamento político e estratégico com a Irã.

Ainda assim, surgiram sinais de disposição para preservar a trégua. Um assessor do presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, afirmou que uma autoridade de alto escalão garantiu o compromisso do Hezbollah com o cessar-fogo.

Berri é considerado uma figura central nas negociações. Líder do movimento Amal, partido aliado ao Hezbollah, ele atua frequentemente como intermediário entre a milícia e autoridades americanas.

A complexidade das negociações está diretamente ligada à estrutura política do Líbano. O sistema de governo distribui os principais cargos do Estado entre diferentes grupos religiosos. Pela fórmula vigente, a Presidência da República é ocupada por um cristão maronita, o cargo de primeiro-ministro cabe a um muçulmano sunita e a presidência do Parlamento é reservada a um muçulmano xiita.

O modelo busca preservar o equilíbrio entre as comunidades que compõem o país, mas também dificulta a formação de consensos e limita a capacidade do governo central de exercer controle efetivo sobre grupos armados.

Nesse contexto, o Hezbollah consolidou ao longo das últimas décadas uma estrutura própria de poder político, militar e social. Com amplo arsenal e forte influência em regiões do sul do país e nos subúrbios de Beirute, a organização atua, na prática, como um Estado paralelo dentro do território libanês.

A continuidade das negociações em Washington será vista como um teste para a capacidade de Estados Unidos, Israel e Líbano transformarem a atual trégua em um processo político mais amplo. Até o momento, porém, os avanços diplomáticos seguem limitados pela persistência dos confrontos e pela dificuldade de resolver a questão do desarmamento do Hezbollah, considerada o principal ponto de divergência entre as partes.