O pré-candidato ao Senado Coronel Hélio (PL) reconheceu que o caso envolvendo Flávio Bolsonaro (PL), o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, provoca preocupação dentro do projeto político do PL, mas saiu em defesa do presidenciável. Em entrevista ao programa Tamo Junto, da Rádio Universitária, Hélio afirmou que a melhor forma de enfrentar o episódio é apresentar explicações públicas e não esconder informações da imprensa.
O caso ganhou repercussão após reportagens do Intercept Brasil apontarem que Flávio negociou com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, recursos para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de mensagens de celular, Flávio confirmou encontro com Vorcaro após a prisão do empresário. O episódio abriu uma crise política em torno do senador, que é apresentado pelo PL como pré-candidato à Presidência da República.

Hélio afirmou que quem está dentro do projeto político de Flávio naturalmente se preocupa com o desgaste, mas defendeu que não havia irregularidade na busca de financiamento privado para a produção. Segundo ele, o contrato foi feito antes de o escândalo envolvendo o Banco Master vir à tona. Questionado se confiava que o dinheiro foi realmente destinado ao filme, respondeu: “Confio”.
O pré-candidato relatou que o senador Rogério Marinho (PL) — coordenador da pré-campanha presidencial — orientou Flávio a dar explicações públicas. Segundo Hélio, o senador reuniu lideranças do partido, deputados federais, senadores e governadores para ouvir a versão de Flávio e, em seguida, defender a realização de uma coletiva.
“A melhor coisa do mundo é você encarar, mesmo que seja doído, e falar a verdade”, afirmou.
Na entrevista, Hélio também tratou da atuação de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. O senador passou a ser criticado depois da decisão americana de classificar facções brasileiras como organizações terroristas e da proposta de tarifa de 25% sobre produtos do Brasil. Isso aconteceu depois do encontro de Flávio com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Hélio negou que Flávio ou Eduardo Bolsonaro tenham pedido a taxação de produtos brasileiros e classificou essa acusação como guerra de narrativas.
O pré-candidato ao Senado afirmou que a tarifa é ruim para o Brasil, mas disse que será um “gol de placa” se Flávio conseguir retirar ou conter a medida. Durante a entrevista, a bancada citou que Flávio enviou carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo americano poupe o Brasil da nova proposta de tarifaço.
Hélio disse que esteve nos Estados Unidos em evento sobre taxações e afirmou que o governo americano busca defender a própria economia. Ele citou que crises comerciais também podem abrir oportunidades para o Rio Grande do Norte, especialmente em áreas como exportação de atum, atração de investimentos e beneficiamento de produtos.
No plano estadual, Hélio tenta consolidar sua pré-candidatura ao Senado no palanque do PL. Ele afirmou que sua construção começou de baixo para cima, com apoio popular, e disse já contar com mais de 40 prefeitos e mais de 120 vereadores no projeto. O pré-candidato integra a chapa que tem Álvaro Dias (PL) para o Governo, Babá Pereira (PL) como vice e Styvenson Valentim (Podemos) também na disputa pelo Senado.
Hélio afirmou que sua relação com Styvenson inicialmente não “dava match”, mas disse que o entendimento avançou após Rogério Marinho apresentar oficialmente seu nome para a chapa. Segundo ele, os dois já participam juntos de agendas quando não há constrangimento político nos municípios.
O pré-candidato também afirmou que Flávio Bolsonaro tem crescimento no Rio Grande do Norte em relação ao desempenho inicial de Jair Bolsonaro em 2018. Apesar de reconhecer que o RN segue sendo um estado de forte presença lulista, Hélio disse enxergar expansão da direita e citou pesquisas em que Flávio aparece na casa dos 35% a 40% no estado.