BUSCAR
BUSCAR
Economia

Dólar vai a R$ 5,46 e renova máxima desde julho de 2022 após críticas de Lula ao BC

Banco Central encerrou um ciclo de sete cortes consecutivos na taxa Selic
Redação
20/06/2024 | 18:36

O dólar renovou a máxima em quase dois anos e o Ibovespa encerrou com ganhos reduzidos nesta quinta-feira 20, com novas críticas de Lula ao Banco Central (BC) ofuscando o clima positivo com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na véspera.

A manutenção da taxa Selic em 10,5% ao ano, em decisão unânime do colegiado colocou as cotações do dólar em baixa e deu força ao Ibovespa no início do dia. A reação mais positiva à decisão era vista na renda fixa, onde as taxas dos DIs chegaram a ceder 20 pontos-base em vencimentos mais curtos.

Ibovespa subiu nesta quinta-feira / Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images
Ibovespa subiu nesta quinta-feira / Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

O clima inverteu a partir da tarde, com mercados repercutindo novas críticas do chefe do Executivo ao presidente do BC, Roberto Campos Neto, e a decisão do Copom.

O dólar, que chegou a cair mais de 1% durante a manhã, mudou de sinal e encerrou o dia com alta de 0,39%, negociado a R$ 5,461, o maior patamar desde julho de 2022.

“A saída de dólares do país segue forte e isso reflete na cotação da moeda e também no volume de negociação do nosso mercado, que tem encolhido muito ao longo deste ano. Os investidores estrangeiros estão movendo seus recursos de risco para outros países emergentes que demonstram melhores perspectivas do que o Brasil”, explica Anderson Silva, sócio da GT Capital.

O efeito negativo das falas do presidente também fizeram o Ibovespa encerrar próximo da mínima do dia, apesar de se manter no campo positivo com alta de 0,15%, aos 120.445 pontos.

O desempenho do mercado foi sustentado pelo avanço das principais companhias listadas, com Vale (VALE3) ganhando 0,9%, enquanto Petrobras (PETR4) valorizou 1,59%.

Lula lamentou nesta quinta-feira a decisão do Copom de encerrar o ciclo de afrouxamento monetário e manter a taxa Selic em 10,50% ao ano, afirmando que o povo brasileiro é quem mais perde com a decisão.

“Foi uma pena que o Copom manteve, porque quem está perdendo com isso é o Brasil, é o povo brasileiro. Quanto mais a gente pagar de juros, menos dinheiro a gente tem para investir aqui dentro”, disse Lula em entrevista à rádio Verdinha, em Fortaleza.

Ele afirmou que o presidente da República não se mete nas decisões do Copom, mas questionou a autonomia da autoridade monetária, acusando-a de servir aos interesses do mercado financeiro.

“A decisão do Banco Central foi investir no mercado financeiro, foi investir nos especuladores que ganham dinheiro com juros. Nós queremos investir na produção”, pontuou.

O Copom do BC decidiu na véspera interromper o ciclo de afrouxamento monetário iniciado em agosto do ano passado, dando destaque à piora das expectativas de inflação.

Também afirmou que a política monetária deve se manter contracionista por tempo suficiente em patamar que consolide não apenas o processo de desinflação, como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.

A decisão já era esperada pelos analistas, que focaram a atenção no placar unânime da decisão do colegiado em interromper o ciclo de queda.

O placar era visto com atenção após a divisão da reunião anterior, em maio, quando os quatro indicados por Lula votaram por um corte maior dos juros, sendo superados pelos cinco remanescentes indicados da antiga gestão de Jair Bolsonaro – incluindo Campos Neto -, de desaceleração do ritmo de queda.

Parte do mercado temia que o BC ficasse mais leniente com a inflação a partir de 2025, quando encerra o mandato do atual presidente e os indicados pelo governo petista serão maioria nas decisões.

De acordo com o gestor de renda variável Tiago Cunha, da Ace Capital, a bolsa reagiu mais cedo ao movimento de alívio originado na decisão do Copom.

“Mais do que o movimento na Selic, pesa a decisão unânime da diretoria, que aliviou um pouco as preocupações sobre uma eventual influência política na decisão de parte do comitê”, acrescentou.

Apesar do alívio, o analista econômico Lucas Farina, da Genial Investimentos, destacou que a dúvida sobre a sucessão da presidência do BC continuará a alimentar incertezas do mercado acerca da condução futura da política monetária daqui em diante

Com informações da Reuters e CNN Brasil

NOTÍCIAS RELACIONADAS
Haddad atribui a má avaliação da economia à desinformação
Ministro disse que é "avassalador" o que se vê na rede social
12/07/2024 às 14:46
Setor de Serviços fica estável em maio, diz IBGE
No acumulado de 2024 pesquisa mostrou crescimento de 2,0%
12/07/2024 às 12:02
Estado terá regularizar repasse de ICMS para Município onde usina açucareira mantém operação
Município argumentou que o Estado vem tolhendo a participação definida em Lei, no que diz respeito aos valores adicionados em seu território em razão da atividade de filiais da LDC - Bioenergia LTDA
12/07/2024 às 09:45
IBGE: Crescimento do varejo potiguar em 2024 é 10 vezes maior que o de 2023
Dados de janeiro a maio foram divulgados ontem; Estado teve alta de 7,4% no período
12/07/2024 às 08:00
Varejo potiguar cresce mais de 10 vezes nos cinco primeiros meses de 2024
Fecomércio destacou crescimento após dados do IBGE serem divulgados nesta quinta-feira 11
11/07/2024 às 17:25
Entenda o golpe do Pix errado e saiba como não ser enganado
Criminosos alegam transferência por engano e pedem devolução
11/07/2024 às 17:04
Postos do RN elevam preço do gás veicular sem justificativa, afirma Potigás
Empresa destacou que, de janeiro a julho de 2024, reduziu o preço da molécula de GNV em R$0,06
11/07/2024 às 14:23
Financiamentos de veículos no 1º semestre têm melhor marca desde 2011
Melhoria da renda é um dos fatores que ajudam a explicar o resultado
11/07/2024 às 11:10
Com alta de 1,2% em maio, comércio cresce pelo 5º mês seguido
Setor atinge o ponto mais alto da série histórica do IBGE
11/07/2024 às 10:59
Informalidade representa 46% do mercado da confeitaria no Brasil, aponta estudo
Superar o amadorismo é um dos temas do evento focado no segmento, que pretende reunir este mês mais de 300 confeiteiras em Natal
11/07/2024 às 10:21